Número de migrantes continua a crescer mais rápido que a população mundial

Entre 2000 e 2017, a comunidade migrante acresceu 49%. António Guterres afirma que a solidariedade para com a comunidade de migrantes “nunca foi tão urgente”.

O novo relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) revelou que o número de migrantes subiu para os 258 milhões em 2017. Um aumento de 38 milhões comparativamente a 2010 e de 85 milhões face ao registo de 2000. Ou seja, entre 2000 e 2017, o número de pessoas que saíram dos países onde nasceram e se estabeleceram noutros Estados aumentou em 49%.

A ONU avisa que este aumento está a acontecer muito rapidamente e de forma continuada. Mais de 60% do total de migrantes registado estabilizou-se na Ásia e na Europa, com 80 milhões e 78 milhões, respectivamente.  A América do Norte é o terceiro destino mais procurado por esta população, tendo registado este ano a entrada de 58 milhões de migrantes internacionais.

As Nações Unidas alertam para o facto de o número de migrantes internacionais ter vindo a crescer mais rapidamente do que a população mundial. Desde 2000 a 2017, a percentagem de migrantes na população mundial aumentou de 2,8% para 3,4%.

António Guterres, secretário-geral das Nações Unidas, face aos números divulgados, reconheceu a solidariedade para com a comunidade de migrantes nunca foi tão urgentecomo agora e lembrou quea hostilidade em relação [a esta fatia] infelizmente está a crescer no mundo”.

Também o sub-secretário-geral para os Assuntos Económicos e Sociais das Nações Unidas, Liu Zhenmin, se pronunciou sobre a matéria e afirmou que “a informação de confiança é crítica para combater visões erradas sobre as migrações e basear as políticas de migração“.

Onde estão os 258 milhões de migrantes?

Segundo o documento, divulgado na passada segunda-feira, cerca de 67% dos 258 milhões vivem sobretudo numa lista de 20 países, onde se destacam sobretudo os Estados Unidos da América, mas também a Arábia Saudita, a Alemanha, a Rússia e o Reino Unido e Irlanda do Norte. Em todo o mundo, a comunidade de migrantes cresceu em 102 países, mas intensificou-se em 21 destes com um crescimento de 6% ao ano.

Taxa anual média de variação do número de migrantes internacionais por país ou área de destino, de 2000 a 2017. Fonte: ONU.

Para além disso, a relocalização forçada de pessoas continua a aumentar. O número de refugiados e pessoas que procederam ao pedido de asilo chegou aos 26 milhões, no final de 2016, representando 10% do total de migrantes internacionais. Contudo, são países e regiões ainda em desenvolvimento que acolhem 82,5% desta fatia. A Turquia é o país que mais refugiados e exilados acolhe, precisamente mais de três milhões. Em 2000, este estado acolhia apenas 3000 refugiados. Segue-se a Jordânia (2,9 milhões), a Palestina (2,2 milhões), o Líbano (1,6 milhões), o Paquistão (1,4 milhões), a Alemanha (1,3 milhões) e o Uganda (1,2 milhões).

De onde vêm?

Em 2017, a maioria dos migrantes registados, isto é, 106 milhões, nasceu na Ásia. A Índia é o país com mais pessoas a viveram fora das suas fronteiras, seguindo-se o México, Rússia e a China. De acordo com o relatório da ONU, a maioria dos 258 milhões migrantes procura realocar-se no mesmo continente onde está integrado o seu país de origem.

O documento destaca ainda que o maior “corredor bilateral” de movimentos migratórios ocorre entre o México e os Estados Unidos.

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Diário da fronteira VII