Jólabókaflóð, a tradição islandesa para um Natal especial

Mais um exemplo de uma forma de estar socialmente diferente que faz deste país com menos de 350 mil habitantes uma boa referência no panorama global.

Natal Livros Islândia
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Antes que o digas: sim, o nome estranho é de mais uma tradição nórdica, mas antes de a ignorares sob o desígnio de cliché, espera um pouco. É que apesar de Jólabókaflóð poder ser um hábito prosaico em potência, veio para substituir outro que pode ser considerado bem… pior.

Jólabókaflóð significa, em Islandês, qualquer coisa como “Inundação de Natal de Livros” e é, tal como a tradução livre indica, um apelo para que no natal se faça uma oferta diferente: livros.

A história da tradição remonta à Segunda Guerra Mundial, altura em que a Islândia lutava pela sua independência frente à Dinamarca. Nessa altura, e por haver um restrito racionamento de todos os produtos, menos do papel, os livros tornaram-se a prenda possível na tradição de Natal, perdurando até ao estatuto de hábito cultural.

Causa ou consequência dessa tradição que priveligia os livros há décadas, os islandeses são dos povos com maior taxa de leitura como prova um estudo de 2013 em que se aferiu que pelo menos metade da população lê no mínimo 8 livros por ano.

É que esta tradição não só é popular entre pessoas como é alimentada pelo seu próprio sistema. Aliás, em entrevistas à imprensa internacional alguns islandeses nem isolam o acto como especial porque para eles dar livros é sempre bom. Mas prova de que a efeméride é propícia ao hábito é o Bokatidindi, um catálogo que chega a maior parte dos lares islandeses semanas antes do Natal enviado pela Associação de Publishers Islandesa.

Mais um exemplo de uma forma de estar socialmente diferente que faz deste país com menos de 350 mil habitantes uma boa referência no panorama global. Recorde-se que o país é pioneiro, por exemplo, na abordagem ao consumo de drogas, tendo as suas políticas resultados comprovados no desenvolvimento o tecido social humano. Neste caso o impacto é totalmente diferente mas bem evidente. Por um lado há um incentivo ao consumo de literatura e ao gosto pelos livros, por outro uma dinamização extra do mercado de publicação naquele pequeno país.