Nobel da Paz entregue entre críticas à irresponsabilidade mundial

Campanha Internacional para a Abolição de Armas Nucleares reconhece que a utilização de arsenal nuclear está, hoje, à distância de uma “birra irresponsável”.

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O Nobel da Paz 2017 foi entregue, este domingo, à Campanha Internacional para a Abolição de Armas Nucleares (ICAN) pelos seus esforços na criação do Tratado das Nações Unidas para a Proibição de Armas Nucleares, assinado a 7 de julho por 122 países.

A cerimónia, realizada em Oslo, ficou marcada pelo discurso do presidente da Fundação Nobel, Carl-Henrik Heldin, que lembrou a crise na Birmânia. Heldin afirmou que “os direitos humanos fundamentais são ignorados” no mundo inteiro e que o “terrível tratamento dado aos rohingya”, no Myanmar, comprova esta percepção.

Lembre-se que a actual conselheira de Estado de Birmânia, Aung San Suu Kyi, ganhou o Nobel da Paz de 1991 pelo “compromisso não violento com a democracia e os direitos humanos” e, face à sua ineficácia em travar a “limpeza étnica” no país, há quem peça que o prémio lhe seja retirado.

A entrega do galardão foi também palco de críticas à pose e utilização de arsenal nuclear. A directora-executiva da ICAN, Beatrice Fihn, ao receber o prémio, aproveitou para insistir na participação das potências nucleares no tratado. A directora-executiva da plataforma acrescentou que “a história das armas nucleares vai ter um fim. Cabe-nos a nós decidir que fim será esse”. “Nós [ICAN] representamos a única escolha racional, representamos aqueles que se recusam a aceitar armas nucleares como um elemento do mundo. (…) A alternativa é impensável”, acrescentou Beatrice Fihn.

A porta-voz da ICAN recebeu o prémio ao lado da japonesa Setsuko Thurlow, sobrevivente do ataque atómico a Hiroxima, em 1945. “Enquanto eu rastejava, as ruínas queimavam, a maioria dos meus colegas de turma morriam queimados vivos, vi ao meu redor uma devastação total e inimaginável”, disse Thurlow ao recordar o dia do bombardeamento.

Fihn avisou que o risco de utilização de armamento nuclear é, atualmente, maior do que no final da Guerra Fria e que poderá estar à distância de uma “birra irresponsável”.

 

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