Novos testes e descobertas na luta contra o HIV/Sida

Testes em África e descobertas em laboratório dão nova esperança na luta contra o vírus da Sida.

Por um lado, são notícias que se repetem e para as quais por vezes já olhamos com alguma descrença para os seus rótulos resolutos. Por outro, lembram-nos da postura de metade de caridade do mundo para com a outra metade e levam-nos a questionar se teria de ser mesmo assim. No final, são mais um sinal de esperança embora nesse aspecto esperássemos sempre tudo diferente.

Falamos de uma nova campanha de vacinação contra o HIV/sida, que, com o patrocínio da multinacional Johnson & Johnson, dos Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos e da Fundação Bill & Melinda Gates, está prestes a arrancar em alguns países da zona sul de África. Mas este não é caso único.

A vacina – uma combinação de duas vacinas, aliás – junta proteínas de várias estirpes do vírus HIV para criar um “mosaico” capaz de prevenir infecções futuras e começou a ser testada este mês de Novembro, prevendo-se chegar a 2600 mulheres.

Este estudo não é o único a decorrer neste momento, já no ano passado uma longa e inovadora campanha de tratamentos começou a ser testada na mesma zona, depois de 7 anos sem proceder a esse tipo de experiências.

O teste de vacinas, especialmente patrocinado por grandes corporações, deixa a descoberto a assimetria nas relações entre as várias partes do mundo, elevando um espírito de caridade que em nada contribuí para um desenvolvimento igualitário, pelo que, por mais que uma vez, foram alvo de críticas. Contudo, a proliferação de doenças como a Sida e a Malária exigem respostas rápidas que o sistema não consegue dar de forma coerente, deixando a pouca esperança a cargo deste tipo de iniciativas.

No panorama global, também as notícias sobre o combate a este vírus são positivas. Numa fase mais preliminar de testes, uma equipa de investigadores conseguiu, recorrendo a um medicamento inovador para doenças oncológicas, diminuir a acção do HIV e aumentar a resposta do sistema imunológico nos pacientes portadores do mesmo.

O resultado dessa administração foi inédito e deixou os cientistas com esperança numa erradicação completa do vírus. A descoberta, levada a cabo em testes num paciente de cancro de pulmão sujeito a quimioterapia, revelaram uma diminuição das células portadoras do vírus e um aumento das células responsáveis por eliminar as doenças após a tomada do químico.

Recorde-se que o HIV infectou cerca de 2 milhões de pessoas por ano, nos últimos 5 anos, em todo o mundo – um dado que evidencia o flagelo e a falência das medidas que têm sido levadas a cabo na prevenção da disseminação deste vírus.

Sobre o mesmo tópico foram recentemente revelados os dados da realidade nacional com um decréscimo do número de diagnósticos a confirmar a tendência dos últimos anos. Em 2016 terão sido sinalizados 1030 novos, que se juntam ao universo de 56 mil pacientes existentes em Portugal.

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