Papa Francisco, a mensagem mais política veio do líder religioso


Papa Francisco Urbi et Orbi
 
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Há quem não goste do Natal pelo cariz religioso da festa, há quem não goste porque se perderam os valores que a religião incutiu na festa pagã ao longo dos primeiros anos de apropriação. A solidariedade expressa-se em altas por esta altura mas poucos são os que aproveitam o carácter quase global desta festividade para pensar no mundo como um todo, ou no mundo com unido pelas personagens que marcam a quadra. A figura central é unânime, Jesus. E a que merece maior reflexão. Foi aliás esse um dos focos do Papa Francisco na sua habitual missa de Natal.

Um discurso que, mais do que simplesmente religioso e alegórico, foi político e assertivo adereçando preocupações humanistas sérias.

“Que a vossa ternura revolucionária nos persuada a sentir-nos convidados a cuidar da esperança e da ternura do nosso povo”

Francisco começou por recordar a “simples história” do nascimento na manjedoura para a partir daí traçar um paralelo com o mundo contemporâneo. Designada Urbi et Orbi, esta habitual prelecção papal caracteriza-se pela transversalidade do discurso e foco no global, desta vez não foi excepção.

Aproveitou a jornada de Maria e José para traçar uma comparação com os migrantes e refugiados que todos os dias são habituadas a forçar a sua terra e os seus entes queridos – Maria e José, na alegoria, não tiveram lugar na pousada enquanto rumavam até Belém.

“Maria e José, para quem não havia lugar, são os primeiros a abraçar Aquele que nos vem dar a todos o documento de cidadania; Aquele que, na sua pobreza e pequenez, denuncia e mostra que o verdadeiro poder e a autêntica liberdade são os que honram e socorrem a fragilidade do mais fraco.

Mas foi mais longe e, digamos, politicamente mais incisivo revelando as suas preocupações e discórdia perante a situação actual no território de Jerusalém, território historicamente associado ao nascimento de Jesus. Francisco apelou mais uma vez à solução dos dois estados e a que se rezasse para que se retome o diálogo e as negociações para coexistência pacífica dos dois estados.

“Hoje, enquanto os ventos de guerra estão sopram no nosso mundo… o Natal convida-nos a focar no sinal da criança e reconhecê-lo no rosto das crianças, especialmente daqueles para quem, como Jesus, não há lugar na pousada.”

À parte do discurso do Papa Francisco, que falou concretamente da jornada de Maria e José até Belém, uma visão do contexto histórico e da sua evolução até ao cenário actual evidencia de forma irrevogável o conflito que se vive no local historicamente conhecido como Terra Santa.

Por que é que o reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel é errado?

 

 

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