Rússia e EUA andam à briga com a sua comunicação social

Rússia classificou 9 órgãos de comunicação social norte-americanos como “agentes estrangeiros”. Trata-se de uma reacção às restrições impostas ao canal televisivo Russia Today nos EUA.

O Ministério da Justiça russo classificou, esta terça-feira, nove meios de comunicação social norte-americanos como “agentes estrangeiros”, após a promulgação pelo Presidente, Vladimir Putin, de uma lei que permite registar os média sob essa controversa designação.

Trata-se de uma reacção às restrições impostas ao canal televisivo Russia Today nos Estados Unidos, obrigado a registar-se também como agente estrangeiro sob pena de ver as contas apreendidas. O Kremlin tinha já afirmado ser “impossível deixar sem resposta as acções hostis” dos Estados Unidos contra a cadeia de televisão russa RT, cujos correspondentes foram privados das suas acreditações de imprensa no Congresso norte-americano.

A figura de “agente estrangeiro”, que implica diversas limitações, foi criada nos Estados Unidos em 1938 para contrariar a propaganda nazi.

Em resposta à decisão unânime do Comité executivo dos correspondentes de Rádio e Televisão do Congresso dos Estados Unidos de retirar as acreditações de imprensa à RT, o Parlamento russo aprovou, então, uma emenda que permitiu incluir meios informativos na categoria de “agentes estrangeiros” que, até agora, era apenas dirigida às organizações não-governamentais financiadas a partir do exterior.

O diploma proíbe, por exemplo, o acesso dos jornalistas desses nove meios norte-americanos à Duma, a assembleia legislativa russa.

As rádios Voice of America e Radio Free Europe/Radio Liberty, financiadas pelo Congresso dos Estados Unidos, são os nomes mais sonantes da lista. Contam-se ainda os sites kavkazr.com, krymr.com, sibreal.org, idelreal.org, factograph.info e a emissora Azatliq Radiose, que é o serviço de RFE/RL em idiomas tártaro e bashkirio, e a emissora de TV Nastoiaschee Vremia. O comunicado publicado pelo Ministério da Justiça russo classifica-os como “exercendo funções de um agente estrangeiro”. A decisão que já mereceu a crítica da Amnistia Internacional que acusa Putin de barrar a liberdade de imprensa.

O Ministério russo dos Negócios Estrangeiros esclareceu, entretanto, que Moscovo está disposto a levantar as restrições se Washington fizer o mesmo.