O líder mais jovem da UE trouxe consigo a extrema-direita

Visto como um menino prodígio, por uns, e como um ditador em formação, por outros.

extrema-direita Áustria
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Chama-se Sebastian Kurz e tem apenas 31 anos, apesar de já contar com 14 de experiência política e de militância no Partido Popular Austríaco (OVP). Visto como um menino prodígio por uns e como um ditador em formação por outros, chega agora ao principal do Governo austríaco com a companhia da extrema-direita.

O acordo entre Partido da Liberdade (FPÖ) e o Partido Popular (OVP) já foi celebrado e aprovado pelo Presidente austríaco, Alexander Van der Bellen, e nasceu depois como conclusão das eleições do passado dia 15 de Outubro.

Sebastian Kurz chegou a líder do OVP apenas cinco meses antes das eleições e levou o partido até ao topo das intenções de voto com 31,5%, tornando-se o protagonista da viragem à direita do panorama político austríaco.

Christian Kern, actual Chanceler pelos Sociais Democratas e segundo nas eleições, ainda expressou a sua vontade da historicamente improvável coligação com o partido de extrema-direita, FPO (terceiro), mas esta sexta-feira o processo concluiu-se com os outros dois intervenientes.

Foto via FlickrUniã

A coligação foi possível depois do FPO garantir que abdicava da intenção de fazer um referendo à presença da Áustria na UE, mas as políticas conservadoras devem marcar o programa de Governo nos próximos anos. Sebastian Kurz elogiou o líder do FPO, Heinz-Christian Strache, pela sua criatividade e desejo de mudar a Áustria, a que este respondeu dizendo que o seu partido não fará a vida do OVP nada fácil.

O FPO, que liderou as sondagens durante grande parte do ano, tinha sido anteriormente criticado pelo agora líder da coligação, Sebastian Kurz, pelas suas associações a movimentos eurocépticos e de ideais extremistas como a Frente Nacional francesa ou a Liga do Norte Italiana.

A questão da União Europeia tinha dupla importância na viabilização desta coligação, quer por parte do OVP, quer por parte do Presidente da República. Ao abdicar do referendo pela saída da UE e da sua oposição às sanções económicas à Rússia, o Partido da Liberdade volta à cúpula do poder depois de mais uma de década arredado.

A Áustria foi até Maio deste ano governada em coligação entre os Sociais Democratas (SPO) e o Partido Popular (OVP), com o líder do partido democrata como responsável de Governo, mas nos últimos meses tudo mudou com um incompatibilizar de posições entre os dois partidos. Na próxima legislatura, Sebastian Kurz já disse aos jornalistas que o seu foco será a redução de impostos e reformulação da segurança.

O discurso anti-emigração e duro em relação às questões dos refugiados, e a mão dada a um partido muitas vezes associado ao novo racista e xenófobo (e descrito como consequente de partidos Nazis numa fase pós-Segunda Guerra Mundial), são os prenúncios para o governo do agora líder mais jovem da União Europeia.

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