À conversa com Simon Merrells, um dos templários de Knightfall

Para além de se confessar um fã de séries e da cultura pop, Simon Merrells falou-nos sobre a sua nova aventura em Knightfall – Templários.

No último sábado, 16 de Dezembro, foi transmitida a antestreia de Knightfall – Templários na quarta edição da Comic Con Portugal, que decorreu em Matosinhos. Simon Merrells, o actor que representa Tancrede, um templário ferozmente fiel à Ordem dos Templários, passou por lá e não pudemos deixar de falar com ele acerca deste novo desafio histórico.

Na série Spartacus, Simon Merrells foi o Marcus Crassus, o romano responsável pelo fim de uma revolução. Em Knightfall – Templários, é Tancrede, um veterano templário que é perseguido durante o declínio da Ordem dos Templários. Estando desta vez do lado errado da história, Simon defende que “a irmandade dos templários não fazia ideia que estava do lado errado até ao último minuto, tendo por isso sido tão chocante para eles esse desfecho”.

A Ordem do Templários era, na altura, a força militar mais poderosa de toda a Europa – eram mais poderosos que os próprios reis – e respondiam apenas perante o Papa. Porém, perante as acusações forjadas por Filipe IV de França e, apesar de serem inocentes, – “facto com que todos temos de concordar”, segundo Simon – muitos acabaram por se render e entregar de livre vontade. Remata que hoje “podemos ler o decurso da história e perceber todos os eventos que levaram à queda dos templários, mas na altura (para eles) isso era impensável”, história essa que admite adorar e ter algum fascínio.

Sendo de conhecimento geral que a verdadeira missão dos templários era proteger os peregrinos dos perigos que poderiam encontrar nos caminhos até à Terra Santa, Simon riu-se – e com razão – da liberdade no nosso ensino básico, onde por vezes é transmitida a ideia romântica e religiosa de que a real razão do estabelecimento da Ordem dos Templários era participar nas cruzadas e propagar a religião católica.

Frisa que os templários não tinham interesse em espalhar a religião pela espada”, mesmo tendo estado em alguns momentos envolvidos nas cruzadas. Argumenta ainda que “há imensas provas de que a irmandade dos templários foi o elemento mais nobre dessa série de eventos terríveis, tendo mostrado um profundo respeito pelo inimigo diversas vezes”. Fazendo a ponte entre esta lição histórica e a série, explica que a busca pelo Santo Graal é o enredo principal de Knightfall – Templários, muito por “ser um objecto que simboliza poder” e que poderá restaurar à Ordem dos Templários a sua anterior glória.

Aproveitando a cavalgada histórica não deixamos de abordar a mestria com que o canal História enveredou pela dramatização de eventos e períodos históricos com fins educativos, algo que Simon classificou de “maravilhoso” e de “progressão natural”. Explica que com “o enorme sucesso que foi Vikings e agora com a fantástica série Knightfall, é possível introduzir diferentes elementos de fantasia na escrita da História, comprimindo eventos e mudando personagens”, ou seja, produz-se algo que vai para além do documentário e que mantém o contexto histórico original.

Continuando, e perante a dramatização de períodos históricos, Simon afirma que a maior diferença entre representar uma personagem fictícia e um personagem histórica é a enorme quantidade de informação que se pode recolher acerca do segundo e do espaço temporal onde este se insere. Tancrede é uma personagem histórica, porém “ninguém pede para representar uma personalidade que viveu há centenas de anos, até porque ninguém a conheceu realmente”.

A pesquisa que pode e deve ser feita facilita o desenvolvimento deste tipo de personagens; no entanto, o actor “procura manter-se fiel à ideia de como uma personagem histórica deve ser representado”, após a recolha de toda informação possível. Simon conclui que, independentemente do papel que se representa, “a base é sempre o actor, porque o Hamlet de um poderá ser diferente do Hamlet de outro, apesar de ser o mesmo papel”.

Knightfall – Templários é uma dramatização da Ordem dos Templários com uma envergadura nunca antes vista, com uma ambiência sólida e inovadora no mundo da televisão, e que chegou a Portugal através do canal TVSéries, onde estreou dia 17 de Dezembro, e promete contar a História como nunca antes fora contada.

O Shifter é gratuito e sempre será. Mas, se gostas do que fazemos, podes dar aqui o teu contributo.