Um álbum à espreita e um Fauno a dançar

Conjunto!Evite em videoclip e entrevista

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Conjunto!Evite resolveram antecipar o Natal e presentearam-nos com “Fauno”, o single que promove o próximo registo da banda. Mostra mais um passo em frente nos descobrimentos musicais do grupo e avança a uma direcção mais Pop sem prescindir de texturas complexas, riffs malandros ou ideias arrojadas.

Meses atrás, quem teve a sorte de ir ver Conjunto!Evite no Popular Alvalade foi testemunha de uma das primeiras vezes que esta canção foi tocada ao vivo. À conversa com a banda depois do concerto, atrevemo-nos a desafiá-los para uma entrevista. Com o mesmo à-vontade que apresentam em palco, os cinco integrantes do conjunto aceitaram prontamente o convite.

Para darmos início a esta entrevista com um sentido lógico, como se conta o princípio da vossa história como banda? O facto de haver familiares músicos é um factor importante ou meramente coincidente?

Vicente: O facto de haver um par de irmãos na banda é coincidente mas importante. O Sebastião, o Fábio e o Zé conheceram-se no secundário e como na altura estavam todos a dar os primeiros toques juntaram-se à Joana e ao Luis e começaram a tocar covers de rock dos 70/80. Deram vários concertos  até que  chegou o verão de 2009 e a banda desmantelou-se por circunstancias normais, nem todos estavam na mesma onda, etc, mas mesmo sem vocalista compuseram uns 4 temas nesse verão que seriam a génese do Conjunto!Evite, Rock instrumental com groove e força, sem medo de falhar. Depois passado mais ou menos um ano, eu formei os Devaneio com o Ivo Relheiro e o Hugo Almeida e eles nessa altura começaram a pensar em ter um teclista na banda, o Luis como tinha outros compromissos não ia ficar muito mais tempo, e o Sebastião fez-me o convite de substituir o Luis, e assim foi. Depois estreamos o Conjunto!Evite em Santarém numa festa da escola secundária e o resto é história.

Antes de irmos às perguntas sérias, quem teve a brilhante ideia de que uma gigantesca irritação nos olhos seria um nome de banda?

Sebastião: Não foi tanto pelo contexto oftalmológico, funciona como um trocadilho portanto nem que seja por não fazer sentido é mais fácil de ficar na cabeça. Mas por ter outra leitura, por ser uma espécie de aviso a quem está a conhecer a banda, transmitir a priori que estamos a falar de um conjunto e a musica e identidade é colectiva, isso interessava-nos. Numa era em que domina o individual e uma banda é alguém e o seu portátil, foi importante para nós afirmar esse espirito contra à norma e fazer do trabalho colectivo a base de tudo o que somos. Não houve assim tanto brainstorming, íamos ter um concerto , precisávamos de um nome para ontem e decidimos. Continuo a achar que decidimos bem. Antes de Conjunto!Evite fomos durante umas semanas os Defoncé, que quem perceber francês verá que seria um nome também apropriado mas que para não ferir tantas susceptibilidades ficou na gaveta.

Existe uma significativa diferença cronológica entre as canções do vosso disco homónimo e do EP Ondas e Marés. Nota-se um crescimento de relevo quando se escuta o EP, mas para além do tempo, no que é que consistiu essa mudança?

Vicente: Esse crescimento consistiu numa mudança no processo de composição das músicas, as ideias iniciais do Ep Ondas e Marés eram um pouco mais abertas à interpretação de cada elemento da banda no que se diferencia do disco homónimo em que as ideias iniciais das músicas nasceram de esboços mais sólidos e coesos, com estruturas já quase definidas e já muito experimentadas ao vivo. Para o Ep cada ideia para uma certa parte da música era experimentada e escrutinada em muitos ensaios pela madrugada fora. A Doutor Simão foi com o desenho feito para estúdio, na Ondas e Marés sabíamos o que íamos fazer até à parte dos sinths graves, o que vinha a seguir íamos deixar a magia do estúdio funcionar. Decidimos ir para o estúdio dos Xutos, A Casinha porque já tínhamos lá gravado a Suburbano para Namek e tínhamos adorado o som principalmente da bateria. Fomos para lá de sexta a domingo e fechamos os dois temas que tínhamos preparados na altura porque o Fabio estava em vias de emigrar e ou se gravava o que tínhamos ou sopas, e essa pressão também ajudou a gerar um resultado positivo, no que obrigou em relação ao método de gravação e o cuidado de cada elemento da equipa saber o que tinha fazer, com o que se preocupar, etc. Já tínhamos mais experiência e com a ajuda do equipamento que estava lá no estúdio conseguimos uma sonoridade maior e com mais camadas.

Quando o Fábio Neves foi para Amesterdão, como surgiu o Manuel Belo? Foi uma entrada natural ou houve castings à mistura?

Zé: Foi uma entrada natural. Houve um “quem é que podemos convidar que seja de confiança e que traga uma onda diferente a C!E?” e, visto que já o conhecíamos pessoalmente e também ao trabalho dele, foi uma decisão fácil.

E como se sentem agora com dois guitarristas? É mais tempo às turras ou mais ideias frescas para coisas novas?

Fábio: Muito bem! A nossa música tem bastante espaço portanto ter mais um elemento no melting pot torna as coisas mais excitantes e imprevisíveis e por outro lado, ter o true stereo das guitarras ao vivo acrescenta profundidade e força à imagem sonora que sai para fora.

Apesar de eu e o Manuel nunca termos tocado juntos antes, a transição para quinteto foi smooth sailing isto porque existe intuitivamente na banda a preocupação em construir à volta do tema da música, acrescentando camadas à melodia que naturalmente vem implícita numa ideia nova. Para além disso há um safe space saudável para que qualquer um traga ideias novas para a equação, seja a compor ou a produzir. Resumindo foi uma aposta ganha!

Fabiana, a segunda faixa do vosso disco homónimo, é provavelmente a vossa canção mais pedida em concerto. Qual é a vossa relação com essa música?

Manuel: Acho que tem uma letra bastante sugestiva e curiosa, que leva uma pessoa a querer ouvir aquela historia, ver onde é que aquilo vai parar, e o mesmo com a musica. É estranhamente catchy, deve ser dos refrões longos fáceis de acompanhar, acho que é por isso que a malta curte, primeiro estranha-se depois entranha-se! Ah e o final! Sempre gostei do final da malha!

Pergunta parva ao Zé Deveza: existe alguma descriminação por seres canhoto ou a única desvantagem dessa característica é disputares espaço com o Manuel Belo em palcos mais pequenos?

Zé: Essa descriminação existe e faz com que ainda não compreendam porque é que não posso tocar com alguém à minha direita. Mas ser descriminado também tem as suas vantagens, já recebi vários convites do Manuel Belo para lutas de espadas.

Com o novo single Fauno, deixa-se adivinhar uma nova direcção musical. Existe novo disco a ser lançado num futuro próximo?

Sebastião: Vem ai o Fauno e vem ai disco novo! No ultimo ano tocámos mais, estivemos mais tempo juntos e fizemos muita musica nova. Normalmente temos muito material que tentamos condensar em músicas que passam por muitas fases, mas desta vez tentámos dar mais espaço a cada ideia e as que nos convenceram tornámo-las canções. No final ficaram 8 que para nós é o um numero recorde e que espelha como nunca a diversidade da banda. Nesse sentido houve uma mudança de método de trabalho mas não sei se é um novo rumo, sempre fizemos musica que desafiasse a nossa criatividade e os nossos limites e quando fechámos o Ep Ondas e Marés, decidimos que o próximo disco seria completamente aberto, sem conceito e sem regras mesmo para nos testarmos e subirmos um pouco mais a barra. Foi um grande desafio para nós mas penso que é um disco que vai surpreender e ser capaz de mexer com quem o ouvir!

Sabe-se que levaram uma data de gente a Coina para gravar o videoclip. Como foi a experiência?

Manuel: Sinceramente não estava a espera que aparecesse tanta gente e com tanta vontade de colaborar, foi uma tarde de divertimento inesperado e de muita logística mas resultou graças aos melhores figurantes de sempre!

Deu vontade de repetir, pode ser que para a próxima também se faça um concerto pelo meio!

As vossas capas de disco, t-shirts e alguns posters seguem um conceito que facilmente se identifica como vosso. Quem é responsável pela vossa arte visual?

Fábio: Desde cedo que decidimos adoptar uma postura DIY em que o que lançamos para fora começa com uma ideia que alguém da banda traz para a mesa para depois procurar-mos em conjunto a melhor maneira de a traduzir na prática. As capas dos discos, da autoria do Vicente, são bons exemplos disso.

Também temos a sorte de ter fora da banda amigos na área que trabalham muito bem e com quem podemos contar, como é o caso do Vasco Duarte, que ilustrou muitos dos nossos posters, o artwork das t-shirts e realizou o documentário Conjuntivitis Sessions.

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Ainda não se sabe nome do álbum nem data concreta, mas prometem que o pano caia pela Primavera.

Conjunto!Evite são:

Fábio Neves

Manuel Belo

Sebastião Santos

Vicente Santos

Zé Deveza

 

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