O vídeo que te vai gelar o coração e abrir os olhos para o aquecimento global

As imagens mostram um urso polar a morrer de fome, enquanto procura comida numa zona que noutros tempos foi gelada.

A personificação das alterações climáticas, é assim que um urso polar esquelético cambaleante, a andar numa zona que antes foi gelada é descrito no vídeo da National Geographic que tem corrido o mundo.

As imagens foram captadas pelo fotógrafo Paul Nickel e pelo grupo de cineastas que o acompanham do grupo de conservação animal Sea Legacy na Ilha de Baffin, a maior ilha do Canadá e quinta maior do mundo. Remontam ao final do verão e segundo Nickel o urso estaria mesmo a morrer de fome e no seu leito de morte.

“Nós ficámos ali a chorar e a filmar, com lágrimas a correr-nos pela cara”, disse.

Nicklen já fotografou mais de 3 mil ursos no seu habitat, está habituado às mais variadas espécies desde criança – cresceu no extremo norte do Canadá – mas garante que este vídeo, que publicou nas redes sociais no início desta semana, foi dos cenários mais dolorosos que já viu.

Não precisamos de descrever ao pormenor o que o vídeo mostra. Trata-se de uma verdadeira chapada de realidade, daquelas que custa mesmo levar, mas que infelizmente parece ser essencial para nos lembrarmos de um problema que sempre esteve tão presente.

No dia em que captou as imagens, Nicklen perguntou-se por que não interveio.

“Claro que isso atravessou a minha mente”, disse Nicklen. “Mas não é como se eu andasse com uma pistola tranquilizante ou com 200 quilos de carne de foca comigo.” 

Mesmo que o fizesse, disse Nicklen, só estaria a prolongar a miséria do urso. Além disso, a alimentação de ursos polares selvagens é ilegal no Canadá.

O fotógrafo da vida selvagem diz que filmou a morte lenta e assombrada do urso porque não queria que ele morresse em vão.

“Quando os cientistas dizem que os ursos estão em extinção, eu quero que as pessoas percebam o que é que isso significa. Os ursos vão morrer de fome”, disse Nicklen. “Este é o aspecto de um urso faminto”.

Ao contar a história de um urso polar, Nicklen espera transmitir uma mensagem em grande escala sobre como o clima de aquecimento global tem consequências mortais.

Os ursos polares são há muito tempo as mascotes inconscientes dos efeitos das mudanças climáticas. Como animais que vivem apenas nas regiões árticas, são frequentemente os primeiros a sentir o impacto do aumento das temperaturas e do nível da água do mar.

Em 2002, um relatório da WWF previu que as mudanças climáticas poderiam eventualmente levar à extinção do urso polar. O mesmo documento confirmou ainda assim que a espécie estaria a tentar adaptar-se à vida longe do gelo desde mais cedo, de forma a ficar em terra por mais tempo estendendo de forma saudável o tempo de jejum. Apesar do que foi observado, no final do verão, a maioria dos ursos estudados pelo World Wildlife Fund apresentou sinais graves de fome.

Quinze anos depois, os campos de caça gelados dos ursos polares estão em pior forma. O Centro de Dados de Neve e Gelo do Canadá, que rastreia a cobertura do gelo marinho anualmente, registou recordes na diminuição da cobertura do gelo marinho – um declínio que se deve acentuar mais ainda no futuro.

Mais recentemente, estudos publicado no ano passado pela European Geosciences Union e este ano pelo US Geological Survey confirmam que o derretimento do gelo marinho continua a ser uma das principais ameaças à existência dos ursos polares.