As principais mensagens de ano novo: de Kim Jong a Dilma Roussef

A euforia de Trump, o compromisso do Papa, o pedido de Dilma e a tensão na Catalunha.

 
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Papa pede “compromisso de todos”

Depois da mensagem de Natal, não havia muito para o Papa Francisco acrescentar neste final/princípio de ano. Na primeira e tradicional missa do ano apelou a um compromisso global “Para alcançar a paz, à qual todos têm direito, muitas pessoas estão dispostas a arriscar as suas vidas numa viagem que é muitas vezes longa e perigosa, estão dispostas a enfrentar pressões e sofrimento”.

Foi mais um discurso dedicado aos refugiados e migrantes, crítico de atitudes xenófobas e racistas em que Jorge Bergoglio, o Papa Francisco, lembrou que “as migrações globais continuarão a marcar o nosso futuro”.

Donald Trump sempre eufórico

Donald Trump não se ficou pelo tradicional discurso de final de ano e fez um verdadeiro year in review. Um vídeo com uma música de acção que mostra Trump a fazer coisas, mesmo algumas pelas quais foi criticado. A embrulhar tudo isto, recortes de discursos do POTUS ao longo do ano, um monólogo final com as conquistas enumeradas e uma mensagem efusiva em 140 caracteres.

Na sequência deste tweet, Donald Trump enviou um outro sem grande relação aparente em que endereçou a sua preocupação com o povo iraniano e a sua vontade de mudança naquele país. Algo que poderia parecer humanista não fosse pronunciado por Donald Trump, reforça o recuo dos estados unidos nas relações com o irão que se deterioraram desde a chegada de Trump ao poder e consequente aproximação à Arábia Saudita.

Perto da meia noite ainda houve tempo para mais um tweet.

Putin apela ao pragmatismo

No seu discurso de final de ano, Putin falou sobre a questão da paz global, num sentido bem diferente a Donald Trump. Se o Presidente dos Estados Unidos considerou recentemente Russia e China como uma ameaça, Putin apela à cooperação pragmática entre as duas grandes potências.

“Na actual conjuntura internacional complexa, o diálogo construtivo russo/norte-americano é especialmente necessário para fortalecer a estabilidade estratégica no mundo e encontrar respostas para ameaças e desafios globais.”

Na mesma intervenção, o presidente russo reiterou o apoio a Bashar Al Assad acrescentando que tem intenção de promover uma verdadeira solução política para a Síria.

Kim Jong-Un mantém ameaças mas pondera diálogo

Por um lado Kim Jong um fez questão de afirmar que quando diz que os misseis norte-coreanos são capazes de atingir qualquer parte dos Estados Unidos da América não está a fazer uma ameaça, está a constatar uma realidade, agudizando o tom do discurso uma vez mais. Por outro, revelou abertura ao diálogo, essencialmente com os vizinhos do Sul.

Num discurso que começou pelas ameaças e pela confirmação na voz de Kim Jong da continuidade de produção de armamento nuclear, algo que não é propriamente novo, o presidente norte coreano surpreendeu com um apelo ao diálogo com a Coreia do Sul, afirmando que a reconciliação entre os dois Estados é urgente.

“O ano de 2018 é um ano importante tanto para o Norte como para o Sul, com o Norte a marcar o seu 70.º aniversário e o Sul a organizar os Jogos Olímpicos de Inverno. Devemos descongelar as relações Norte-Sul, para transformar este ano importante num ano que ficará guardado para a História da nação.”

Kim Jong falou na necessidade de criar novas pontos entre norte e sul e, não menos importante do ponto de vista simbólico, da sua intenção de enviar uma delegação de atletas aos jogos olímpicos de Inverno de 2018 em Pyeongchang, na Coreia do Sul.

Park Su-Hyun do Gabinete presidencial Sul Coreano falou em conferência de imprensa reagindo positivamente ao discurso do líder norte-coreano.

Dilma pede Lula

2017 marca o primeiro ano de Dilma Roussef afastada do poder político brasileiro fruto do polémico processo de impeachment que resultou na nomeação interina de Michel Temer.  Depois de um marcado por diversos casos de corrupção, o caso Lava Jato, delações e julgamentos extremamente mediatizados, 2018 volta a ser ano de eleições no Brasil e é por isso que a mensagem de Dilma é importante.

A Presidente afastada apelou a eleições realmente livres em 2018 e para que Lula se possa possa candidatar. Luiz Inácio Lula da Silva foi condenado pelo juiz Sérgio Moro na primeira instância do julgamento do caso triplex a 9 anos e seis meses de prisão, caso veja essa sentença confirmada ficará impedido de se candidatar as eleições. Apesar da incerteza legal, Lula é dado como favorito em grande parte das sondagens

“Que em 2018 tenhamos uma eleição realmente livre. Livre de exclusões e livre de manobras políticas e judiciais com o objetivo de interditar candidatos. Que em 2018 o presidente Lula possa concorrer”, escreveu Dilma. 

A mensagem de Dilma espelha o seu sentimento de desconfiança face à forma como política e justiça têm cooperado em determinados casos de interesse. O último caso polémico foi recentemente, por altura do Natal, quando Temer propôs regras para indulto que alegadamente beneficiariam presos por corrupção no famoso caso Lava Jato – decreto que acabou barrado pelo Supremo Tribunal Brasileiro até futura deliberação.

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Na tradicional mensagem emitida através da rádio e televisão estatais, o Presidente da China salienta o bom ano do país mas remata com a política internacional. Diz que “o povo chinês deseja não apenas o bem-estar de si próprio, mas também de povos de todos os países. (…) Espero, com toda sinceridade, que a comunidade internacional, seguindo a ideia de comunidade de destino comum da humanidade, se una para construir o nosso planeta em um lugar com muita paz e prosperidade.”

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