Ano novo, preços novos: o que aumenta e desce em 2018

O pão e os transportes públicos aumentam, mas também o salário mínimo nacional sobe.

Começamos à mesa e, como um bom português, pelo pão. Sem especificar o acréscimo em causa, a Associação dos Industriais de Panificação, Pastelaria e Similares do Norte a assumir que é expectável que o preço do pão sofra “correcções” em 2018, por causa do aumento dos custos de produção das padaria. Em algumas zonas do país, uma carcaça pode custar mais de 20 cêntimos.

Tudo porque, entre 2011 e 2017, os combustíveis subiram mais de 50%, os salários tiveram um crescimento na casa dos 19%, os custos de manutenção subiram 60% e preço dos ovos subiu cerca de 50%, desde a altura dos incêndios. Os incêndios são, aliás, os principais culpados dos aumentos dos preços de grande parte dos bens básicos para a nossa alimentação.

O mesmo acontece com o leite. Os produtores esperam uma estabilização do sector em 2018 que não se deverá traduzir em grandes alterações a nível dos preços, mas a seca aumentou os custos e a subida pode chegar aos 5%, apesar de ainda não estar definida.

No caso do azeite, os preços sobem porque a produção abrandou e no caso dos ovos, meia dúzia pode chegar este ano aos 2 euros, subidas que já começaram com os fogos do Verão.

Álcool e tabaco sobem

Como já é hábito, bebidas alcoólicas, tabaco e refrigerantes ficam mais caros a partir de Janeiro, de acordo com a inflação. O aumento do Imposto sobre o Tabaco previsto na proposta de Orçamento do Estado para 2018 pode significar uma subida de até 10 cêntimos num maço de cigarros. Especial destaque para o imposto a pagar pelas bebidas açucaradas, que vai aumentar cerca de 1,5% este ano.

Mobilidade mais cara, mas com mais descontos

Passemos para os transportes, um dos serviços que mais alterações vai sofrer no novo ano. A subida chega aos 2,5%, excepto em alguns cartões pré-pagos como o Lisboa Viva, Viva Viagem/7 Colinas e Andante. Já na Rodoviária, na Carris e STCP, transportes fluviais e comboios urbanos e suburbanos em percursos inferiores a 50 quilómetros o aumento máximo será de 2%.

Em contrapartida, nas boas notícias, consta o alargamento a todos os alunos do desconto de 25% do passe de transportes que antes apenas continha os estudantes entre os 4 e os 18 anos (um alargamento que se verifica até aos alunos que não têm apoio social.) Também o passe sub23, dirigido aos estudantes do ensino superior até aos 23 anos, foi alargado aos serviços de transporte colectivo de passageiros autorizados ou concessionados pelos organismos da administração central e regional, bem como aos serviços de transporte de iniciativa dos municípios, com um benefício igualmente de 23%.

Caso andes de carro, fica a saber que, para os carros novos, o Imposto Sobre Veículos vai subir 1,4%, de acordo com a inflação, ficando ainda assim abaixo do agravamento de 3% do ano anterior. Mas se for num carro usado, o IUC (Imposto Único de Circulação), imposto anual, também vai sofrer um aumento, em média 1,4%.

Um terço das portagens vai custar mais 5 cêntimos em cada passagem, para um carro de classe 1. Na rede Brisa, cujo valor médio de actualização tarifária é de 1,47%, destaque para o aumento de 45 cêntimos na autoestrada Lisboa-Porto (A1) para a classe 1. Na A2, que liga Lisboa e Algarve, e na A6, entre a Marateca e Caia, o aumento é de 25 cêntimos, e na A3, que liga o Porto a Valença, a subida é de 20 cêntimos.

Já a Infraestruturas de Portugal aumentou ontem os preços praticados nas portagens em 161 troços de autoestrada, abrangendo o equivalente a 32% da rede, com acréscimos entre cinco a 10 cêntimos.

Também o Imposto Sobre Produtos Petrolíferos e Energéticos aumentou no início do ano. A taxa do ISP aplicável à gasolina é de 556,64 euros por 1.000 litros (0,556 euros por litro). No caso do gasóleo, a taxa de imposto é de 343, 15 euros por 1.000 litros (0,343 euros por litro). A juntar à subida do ISP, o preço dos combustíveis também sobe nesta fase por causa do aumento do preço do petróleo.

Aumentos e descidas em casa

Em casa, a electricidade vai custar menos 0,2%, se pertenceres ao mercado regulado, o que representa uma diminuição de 9 cêntimos numa factura média mensal de 45,7 euros. Os preços da luz não desciam desde 2000 mas, por outro lado, sobem 2,5%, se fores cliente da EDP Comercial. O mercado livre, que tem cerca de quatro milhões de clientes, vê os preços aumentar devido à também subida do preço da energia do mercado grossista no último ano, na ordem dos 24%. Quanto ao gás, a actualização tarifária só acontece em 1 de Julho para os consumidores que se mantêm no mercado regulado.

As taxas de IMI vão manter-se entre 0,3% e 0,45% para os prédios urbanos. No caso dos prédios rústicos, a taxa aplicável é de 0,8%. Destaque para o facto de alguns municípios terem decidido avançar com a isenção de IMI aos imóveis danificados pelos incêndios de 2017, como Penacova e Góis.

Este ano, prevê-se também um aumento de 1,12% do valor dos arrendamentos, mais do dobro da subida verificada em 2017. É o maior aumento desde 2013, correspondendo a mais 1,12 euros por cada 100 euros de renda, segundo um aviso relativo à actualização das rendas em 2018, publicado em Diário da República. Aplicável tanto ao meio urbano como ao meio rural, este aumento segue-se às subidas de 0,54%, registada em 2017 e de 0,16%, em 2016.

Quanto às operadoras de telecomunicações, a Vodafone, Nowo, NOS vão manter este ano os preços cobrados no ano passado. A MEO não altera os valores para os serviços fixos, mas actualiza alguns tarifários móveis pós-pagos.

Salário mínimo aumenta

As boas notícias são a subida do salário mínimo nacional para 580 euros, que também entrou ontem em vigor. São 800 mil os trabalhadores abrangidos por este novo valor e o programa do Governo prevê que seja de 600 euros em 2019. Registou-se ainda um aumento das pensões e dos apoios sociais entre 1% e 1,8% já este mês.

A lei do Orçamento do Estado para 2018 descongela também as progressões na carreira para todos os funcionários públicos e quem reuniu as condições durante os anos do congelamento – quem somou dez pontos na avaliação de desempenho entre 2011 e 2017 – terá um acréscimo salarial em Janeiro.

Este será também o ano do aumento dos escalões do IRS, que deverão passar de cinco para sete no próximo ano, sendo desdobrados os actuais segundo e terceiro escalões por forma a beneficiar sobretudo os contribuintes destes níveis de rendimentos. Tudo alterações por via legislativa, decisões do actual Governo, que constam no Orçamento do Estado para 2018.