Comunidade E Arte Cultura: não é um erro, é uma cópia

O que parecia ser o site da Comunidade Cultura e Arte revelou-se afinal uma cópia com o nome invertido, Comunidade E Arte Cultura.

Comunidade e Arte Cultura
 
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Enquanto pesquisávamos por um dos assuntos do momento no Google, com a keyword Lula da Silva, deparámo-nos com uma entrada que parecia, estranhamente, publicada no site português Comunidade Cultura e Arte. A divergência da habitual linha editorial desta comunidade das redes sociais levou-nos a clicar e a surpresa aumentou. O que parecia ser o site da Comunidade Cultura e Arte revelou-se afinal uma cópia com o nome invertido, Comunidade E Arte Cultura, e uma linha editorial absolutamente díspar, focada em hits e em notícias do jetset brasileiro.

Mas a questão não termina aqui. Para além do nome invertido e do domínio que em tudo faz lembrar o da página portuguesa — provavelmente para explorar a notoriedade das keywords, — o site utiliza uma cópia do logótipo, com menor qualidade, e um template em tudo semelhante.

o conteúdo que preenche as páginas deste “jornal” pode rapidamente ser detectado noutras plataformas através de uma pesquisa no Google, parecendo ser estrategicamente selecionado para funcionar nos canais de distribuição digitais.

O site Comunidade E Arte Cultura, que na página de contactos apresenta uma morada de Faro, tem artigos publicados sobre Desporto, Economia, Política, em Português — com algumas variações próprias do Brasil — e Espanhol, desde pelo menos dia 2 de Agosto. Já o domínio encontra-se registado desde o dia 13 de Julho de 2017.

A iniciativa pode não ser ilegal, uma vez que as marcas em questão podem não estar registadas ou até haver um acordo desconhecido do público. Neste caso trata-se provavelmente de uma exploração da notoriedade das keywords associadas à página Comunidade Cultura e Arte, algo que valoriza a propriedade em plataformas de distribuição de conteúdos noticiosos como o Google News.

Numa altura em que o tema das fake news é abordado por todos, do Presidente dos Estados Unidos ao líder da Igreja Católica, situações como esta deixam claro o lado menos positivo do ecossistema digital, no qual facilmente se faz a apropriação de uma marca recorrendo a uma série das suas características não registadas e usufruindo do seu reconhecimento por parte dos algoritmos.

Antes da publicação deste artigo a redacção do Shifter contactou as redações de Comunidade Cultura e Arte e Comunidade e Arte Cultura. Qualquer resposta ou esclarecimento será aqui posteriormente adicionado.

Actualização às 16:15h de dia 26 de Janeiro: 

Em resposta ao e-mail do Shifter, a equipa da Comunidade Cultura e Arte revelou desconhecimento da situação até ao momento do contacto, reforçando ser alheia à propriedade em questão. A resposta:

Não tínhamos conhecimento do site em questão. Existimos enquanto Comunidade Cultura e Arte há vários anos sendo que, durante a nossa existência, sempre nos quisémos e tentámos reger por aquilo que acreditamos ser regras básicas de ética actuação na promoção daquilo que é a nossa missão, “popularizar e homenagear a Cultura e a Arte em todas as suas vertentes e a incentivar em comunidade o debate social e cultural”.

Em relação ao sucedido estamos neste momento a averiguar a situação para posterior actuação em salvaguarda dos nossos interesses.

Se não conseguirmos aumentar o número de patronos, a 2ª edição da revista será a última, e o Shifter como o conheces terminará no final de Dezembro. O teu apoio é fundamental!