Pode ter-te passado despercebido: a cimeira das decisões está a terminar

Das manifestações nas ruas, a Merkel e Macron, todos parecem estar contra Trump - e a antecipar ansiosamente a sua intervenção.

Fórum Económico Mundial
Davos | Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços/Flickr

Uma conferência mundial, um encontro global, uma cimeira de decisões. Davos ou Fórum Económico Mundial corresponde a todas estas definições com o objectivo de “melhorar o estado do mundo”. Ao longo de 4 dias, líderes mundiais, responsáveis por grandes empresas e celebridades vão conversar sobre os seus interesses e sobre os interesses do planeta.

Davos é uma pequena vila gelada na Suíça que assiste a dois ecossistemas entre os participantes. O primeiro consiste numa discussão visível com oradores importantes a expor as suas ideias. O segundo é um encontro invisível, onde a diplomacia política e empresarial impera, e se espera que haja compromissos importantes para o futuro global. Esta segunda realidade ganha proporções mediáticas no momento em que são tornadas públicos os desenlaces destas conversas. Assim, não é de estranhar que daqui a uns meses oiçamos da boca de alguns líderes/CEO o seguinte começo de frase: “selámos este entendimento em Davos que consideramos ser o melhor para…”.

Portugal está representando em diversos quadrantes nesta cimeira anual. Além do governo liderado por António Costa e secundado pelos ministros Mário Centeno (que assume também o papel de Presidente do Eurogrupo nesta conferência), Manuel Caldeira Cabral e Luís Castro Mendes. No setor empresarial, a SONAE e o grupo Jerónimo Martins marcam presença, assim como a AICEP. Também o meio académico se fez representar através do professor da Nova School of Business e conselheiro da OCDE, Afonso Mendonça Reis.

Davos 2018 tem a honra de contar com Donald Trump. O presidente dos Estados Unidos da América quebra assim a tradição, já que há vários anos que o responsável máximo norte-americano não marcava presença neste evento. Também Michel Temer marcou a agenda mediática, numa altura em que o Brasil enfrenta uma grave crise de regime com a confirmação da condenação de Lula da Silva. O presidente do Brasil afirmou que depois de anos de crise e recessão, a maior economia da América Latina está a recuperar e não irá descarrilar por causa das eleições.

Ambas as presenças foram altamente contestadas nas ruas da Suíça, em cidades como Genebra, Lausanne e Friburgo com cartazes com mensagens como “Fiasco Económico Mundial”, “capitalistas racistas sexistas” e “Não toquem nos direitos das mulheres”.

Mas a insurgência contra o Presidente norte-americano também chegou dentro de portas, onde Angela Merkel e Emmanuel Macron foram as presenças mais notadas do lado europeu. O líder francês e a chanceler alemã prometerem ser a voz da política consciente, contra o isolacionismo e rejeitando os ideais políticos proteccionistas de Trump.

O Presidente dos Estados Unidos chegou esta tarde a Davos e o seu discurso é um dos mais aguardados — Até agora, todos os discursos têm tido Trump e as suas políticas como alvo. São de sublinhar as intervenções de Justin Trudeau ou Narendra Modi. O primeiro-ministro do Canadá teve um dos discursos mais populares da conferência, focando-se em temas tão actuais como a importância da igualdade de género em governos e empresas. Já o primeiro-ministro indiano sublinhou que a maior ameaça do mundo são os constantes ataques à globalização, lançou farpas ao proteccionismo e não esqueceu o terrorismo e crescente radicalização dos jovens.

O Acordo de Paris também foi um dos assuntos mais discutidos. A diretora executiva da Greenpeace International, Jennifer Morgan, por exemplo, lançou o alerta: Não temos mais cinco anos. As emissões globais vão atingir o pico máximo nos próximos dois anos. Seria ótimo ouvi-lo dizer que mudará a França para 100 por cento de renováveis e que abandonará a energia nuclear e que trabalhará com a Alemanha para fazer com que abandone o carvão… Para transformar em atos as palavras de liderança”.