Donald Trump anunciou os prémios Notícia Falsa e foi anedótico

Donald Trump anunciou os seus “Prémios Notícia Falsa”, em mais um ataque contra os meios de comunicação social. Desde a primeira mensagem sobre o assunto, vários peritos advertiram que o anúncio destes “prémios” poderia violar normas federais de ética governamental.

Donald Trump Notícias Falsas
Twitter / Donald Trump

O começo foi difícil, tipo uma queda na passadeira vermelha de uma cerimónia célebre. Num acto de verdadeira justiça divina, o link no qual o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, quis anunciar os seus “tão antecipados” prémios Fake News, acabou por ser ele próprio um pouco fake.

“E os vencedores dos Fake News são…”, lia-se no tweet de Donald Trump, que continha uma hiperligação para o site oficial do Partido Republicano, onde se encontra a lista completa dos vencedores dos “prémios”. A afluência foi tanta, ou o jeito para tecnologias tão pouco, que a página electrónica dos republicanos deixou de funcionar alguns minutos depois da publicação da mensagem. As reacções não se fizeram esperar.

Passada cerca de uma hora, o site voltou ao activo e os prémios, que Trump tinha anunciado em finais de Novembro passado, foram finalmente revelados. “O ano de 2017 foi particularmente feroz, com uma cobertura mediática desonesta e mesmo informações falsas descaradas. Estudos demonstraram que mais de 90% da cobertura mediática do Presidente Trump é negativa”, lê-se na introdução da lista, que inclui a cadeia de televisão CNN e os jornais The New York Times e o Washington Post, alvos habituais do magnata.

No primeiro lugar da lista surge um artigo de Paul Krugman, prémio Nobel da Economia em 2008, publicado no New York Times sobre as repercussões económicas da vitória de Trump. No texto, Krugman escreveu que a economia “nunca” recuperaria da passagem de Trump pela Casa Branca.

A cadeia ABC é a segunda visada da lista, distinguida por causa de uma informação, da qual se retratou posteriormente, que assegurava que o presidente norte-americano tinha dado instruções a Michael Flynn, ex-assessor para a Segurança Nacional da Casa Branca, para contactar emissários do Kremlin antes das eleições presidenciais norte-americanas, em Novembro de 2016.

Em terceiro lugar surge a investigação da CNN que noticiou que Trump e o filho, Donald Trump Jr., tiveram acesso a documentos pirateados da candidata democrata Hillary Clinton e do Partido Democrata, que o portal WikiLeaks divulgou durante a campanha eleitoral.

Ao todo, a CNN recebeu quatro dos dez “prémios”, seguida pelo New York Times e Washington Post com dois, e as revistas Time e Newsweek e a cadeia ABC com um.

Depois de divulgada a lista, Trump tweetou uma segunda mensagem: “Apesar da cobertura de alguns meios muito desonestos e corruptos, existem muitos grandes jornalistas que respeito e boas notícias das quais os norte-americanos devem estar orgulhosos”.

Donald Trump tinha anunciado inicialmente a revelação dos para dia 8 de Janeiro, acabando por adiar o anúncio para dia 17. Sempre via Twitter, sempre engrandecendo a importância e interesse do “evento”.

Desde a primeira mensagem sobre o assunto, vários peritos advertiram que o anúncio destes “prémios” poderia violar normas federais de ética governamental.

Algumas horas antes do tweet com os vencedores, dois senadores republicanos, John McCain e Jeff Flake, tinham denunciado “os repetidos ataques” de Trump contra a imprensa, que consideraram “sem precedentes nem sentido”. Já não podemos fingir que não vemos ou ouvimos estes ataques contra as nossas instituições”, disse Flake, que comparou Trump ao antigo líder soviético a Stalin.

Dada a mediatização do assunto desde o início, não faltaram paródias da “cerimónia” virtual apresentada pelo Presidente dos Estados Unidos. O actor e comediante Jimmy Fallon fez a sua própria versão dos Fake News Awards no “The Tonight Show e a actriz e apresentadora Chrissy Teigen, conhecida pelo humor negro que propaga no Twitter, simulou uma cerimónia no Snapchat.