Astronauta que cresceu 9 centímetros no espaço, afinal cresceu só 2

Tudo não passou de um engano nas medições, disse o japonês Norishige Kanai que já não teme ficar retido na Estação Espacial Internacional.

Anton Shkaplerov
 

Chegou à Estação Espacial Internacional dia 19 de Dezembro a bordo da nave russa Soyuz e agora teme não caber no assento para a viagem de regresso à Terra. Ou, pelo menos, temia. Ontem, o astronauta japonês Norishige Kanai anunciou que cresceu 9 centímetros desde que chegou ao espaço, há pouco mais de 20 dias. A notícia correu o mundo, mas afinal, diz ele agora, tudo não passou de um engano nas medições.

Já esta quarta-feira, Kanai revelou que terá havido um erro e que afinal cresceu apenas 2centímetros, um valor considerado normal.

“Peço desculpa por ter publicado uma notícia falsa”, escreveu o astronauta de 41 anos no seu Twitter em japonês.

Norishige Kanai revelou que o comandante da EEI (ISS, em inglês), o russo Anton Shkaplerov, ficou céptico quando soube dos alegados nove centímetros. “Por isso, medi-me rapidamente e estava com cerca de 182 cm, mais dois centímetros do que a minha altura na Terra”, escreveu o astronauta. “Portanto, foi um erro de medição (?), mas parece que há muita gente a falar disso”, acrescentou.

O crescimento no espaço é normal e acontece a quase todos os astronautas, que ganham entre dois a cinco centímetros de altura durante a sua estadia espacial. Este crescimento deve-se à pouca gravidade que há no espaço – quando regressam à Terra, regressam também ao seu tamanho normal, por força da gravidade.

A coluna vertebral humana é como uma mola: quando está sujeita à força da gravidade terrestre, fica compactada; se estiver no espaço, com pouca gravidade, pode “relaxar” e ficar mais esticada, fazendo com que fiquemos mais altos. Algo similar acontece quando nos deitamos durante algum tempo, o que justifica que acordemos ligeiramente mais altos do que quando nos deitamos.

Num artigo publicado há alguns anos pela agência espacial norte-americana NASA sobre o crescimento dos astronautas no espaço, é referido que, por norma, este aumento não causa problemas. Mas pode causá-los, já que os seus fatos espaciais são feitos à medida e têm de ser feitos deixando uma margem para este crescimento.

No tweet de terça-feira, Kanai explicava em japonês: “Cresci como uma planta aqui em apenas três semanas. Nunca me tinha acontecido algo assim desde o secundário. Estou um pouco preocupado sobre se caberei no banco da Soyuz [nave russa utilizada no transporte dos astronautas] no regresso”.

Agora, o japonês que trabalha na Agência Japonesa de Exploração Aeroespacial e está na sua primeira viagem espacial, sente-se “aliviado” e acredita que “provavelmente” caberá na cápsula quando voltar à Terra em Abril.

Da equipa de Kanai fazem ainda parte o russo Anton Shkaplerov e o americano Scott Tingle. Os três astronautas, que permanecerão no espaço cerca de meio ano, juntaram-se assim ao russo Alexandr Misurkin e aos americanos Mark Vande Hei e Joseph Acaba, que estão na Estação Espacial Internacional desde Setembro.

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