Facebook precisa de ser mais transparente connosco

Rede social quer mostrar-nos notícias informativas, de fontes confiáveis e relevantes na nossa zona. Mas precisa de ser mais transparente connosco e com os órgãos de comunicação social relativamente aos critérios que vai aplicar.

Facebook

Na semana passada, o Facebook anunciou mudanças drásticas a um dos feeds mais importantes da internet. Em breve, o News Feed vai começar a ter mais publicações de amigos e familiares e menos conteúdo público – empresas, marcas e notícias, através de um novo algoritmo que privilegiará também as discussões activas na plataforma e que está a preocupar os órgãos de comunicação social.

Esta semana, a rede social acrescentou que não só vai diminuir o número de notícias que aparecem no News Feed como seleccionar notícias de melhor qualidade aos seus utilizadores. O objectivo é “garantir que as notícias que as pessoas vêem, apesar de serem menos, são de melhor qualidade”, explica Adam Mosseri, responsável pelo News Feed, num novo comunicado da empresa. Já Mark Zuckerberg, CEO do Facebook, revela num novo post que a diminuição de notícias no News Feed será de apenas 1% – deixaram de representar 5% do feed para representarem apenas 4%.

Assim, o Facebook vai mostrar:

  • notícias de fontes que a comunidade classifica como confiáveis;
  • notícias que as pessoas consideram informativas;
  • notícias que são relevantes localmente.

No entanto, tudo isto levanta uma nova questão: transparência.

Lendo o comunicado do Facebook não é explicado como é que essa classificação de fontes e notícias será feita e que impacto terá, por exemplo, em órgãos de comunicação social mais pequenos ou que acabaram de surgir e que ainda estão a conquistar o seu espaço mediático.

Que fontes é que os utilizadores vão classificar como confiáveis? Como é que serão apurados esses dados? Que tipo de notícias vão ser consideradas informativas?

Na nota assinada por Adam Mosseri, é explicado que o Facebook vai começar, nos Estados Unidos, a pedir aos utilizadores para definirem as fontes noticiosas em que confiam, através de inquéritos segmentados ao longo do país. Os dados recolhidos serão utilizados para definir o ranking de cada órgão de comunicação social no News Feed. No futuro, está previsto alargar esta estratégia de fontes confiáveis globalmente.

Quanto ao ponto das notícias informativas, a determinação das que são e das que não são continuará a ser feita também por via de inquéritos (o Facebook fá-lo desde o Verão de 2016, aliás), mas a empresa vai estudar outras formas de aperfeiçoar este processo. Relativamente às notícias locais, o Facebook começou a testar esta opção em seis cidades norte-americanas, prevendo-se o seu alargamento a mais áreas geográficas. As notícias locais aparecem, para já, numa nova secção na app intitulada “Today In”.

Os Estados Unidos vão ser o primeiro país a receber as novidades jornalísticas do Facebook, mas prevê-se que neste 2018 a mudança chegue aos mais de 2 mil milhões de utilizadores activos mensalmente na plataforma. A mudança no News Feed será radical.

Continuing our focus for 2018 to make sure the time we all spend on Facebook is time well spent… Last week I…

Publicado por Mark Zuckerberg em Sexta-feira, 19 de janeiro de 2018