Eles podem ir à Lua, mas sem os milhões prometidos pela Google

O Google Lunar X Prize foi cancelado, 10 anos depois de ter sido lançado. Há 5 finalistas mas não há prémio de 30 milhões de dólares.

Google Lunar X Prize

20 milhões de dólares era o prémio que a Google e a X Prize Foundation, uma organização sem fins lucrativos, tinham para financiar a primeira viagem privada à Lua. Para tal, foi montada uma competição, da qual resultaram 5 finalistas, que teriam até 31 de Março para preparar e concretizar a viagem. A dois meses do fim do prazo, ninguém está pronto e o prémio deve ser cancelado.

“Depois de consultar as nossas cinco equipas finalistas do Google Lunar X Prize, concluímos que nenhuma delas fará uma tentativa de lançamento para chegar a Lua antes do prazo de 31 de Março de 2018”, lê-se num comunicado divulgado. O Google Lunar X Prize foi lançado em 2007 pela X Prize Foundation com o patrocínio da Google. Na mesma nota, os responsáveis pela competição referem que esperavam “já ter um vencedor por esta altura” e justificam o insucesso da iniciativa com “dificuldades de financiamento e a desafios técnicos e regulatórios”.

Até agora, só agências governamentais, como a NASA, pisaram a superfície lunar, com missões que custaram centenas de milhões e até milhares de milhões de dólares, pelo que o Google Lunar X Prize seria pioneiro ao desafiar, a uma escala global, equipas a desenvolver e lançar robôs na Lua, através de financiamento privado. A ideia era criar formas criativas de chegar ao satélite natural da Terra de forma bem mais barata que as outras opções.

Chegar à Lua era apenas parte do desafio; as equipas teriam de percorrer pelo menos 500 metros na superfície lunar e fazer transmissões em directo. A primeira equipa a cumprir todos os requisitos dentro do prazo receberia os 20 milhões de dólares; o prémio para o segundo lugar era de 5 milhões; existiam ainda outras recompensas monetárias para equipas que atingissem determinadas metas, como avanços tecnológicos importantes, ou sucedessem em tarefas especiais, como fazer uma órbita à volta da Lua antes de aterrar. No total, estavam em jogo mais de 30 milhões de dólares.

Apesar de não existir um vencedor e de a competição ter sido cancelada, os cinco finalistas – a SpaceIL de Israel, a Moon Express dos Estados Unidos, a TeamIndus da Índia, a Hakuto do Japão, e a Synergy Moon, uma colaboração internacional – e as outras equipas conseguiram, juntas, obter 300 milhões de financiamento para as suas missões, através de patrocínios privados, contratos governamentais e capital de risco, criaram centenas de postos de trabalho à volta do mundo e ganharam exposição internacional.

Pelo menos uma das equipas neste desafio, a Moon Express, prevê avançar com a sua missão à Lua. Tem a aprovação do Governo norte-americano e, de acordo com o seu CEO, Bob Richards, os planos da empresa vão muito além da competição. “Continuamos concentrados nos nossos principais planos de negócio para reduzir o custo do acesso à lua, na nossa parceria com a NASA e na nossa visão a longo prazo de desbloquear recursos em benefício da vida na Terra e do nosso futuro no Espaço”, disse em comunicado.

O prazo original do Google Lunar X Prize estava previsto para 2014, mas foi alargado quatro vezes antes de ser fixado em 2018. Foram registadas 30 equipas, no total. Mesmo sem o prémio da Google, a X Prize Foundation está a estudar formas de continuar a ajudar as equipas nos seus trabalhos, que tanto pode passar por encontrar outro patrocinador para que as equipas consigam chegar à Lua ou por continuar a competição sem prémio monetário.