Homo Sapiens pode ter saído de África mais cedo do que se estimava

A comunidade científica acreditava que a saída do continente teria ocorrido há aproximadamente 130 mil anos, mas a descoberta de novos fósseis de Homo Sapiens em Israel indica que o caminho do humano moderno terá começado há 185 mil anos.

África
Galeria da Evolução Humana - India / Wikimedia
 
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São os restos mortais da espécie humana mais antigos alguma vez encontrados fora de África. O fóssil encontrado em Israel indica que àquela que acreditamos ser a nossa espécie (Homo Sapiens) já vivia fora daquele que é considerado o continente de origem, há cerca de 185 mil anos. A descoberta revela que, afinal, a jornada dos Homo Sapiens pelo mundo começou cerca de 80 mil anos antes do que o indicado pelas investigações anteriores.

Uma grande equipa internacional, liderada por Israel Hershkovitz, da Universidade de Telavive, e que inclui cientistas da Universidade de Binghamton, em Nova Iorque, descobriu o fóssil em cavernas do Monte Carmelo, em Misliya, Israel. Os detalhes foram publicados na revista Science, e indicam, por exemplo, que “podem ser descobertos Homo Sapiens ainda mais antigos no oeste asiático” Para os responsáveis pela investigação, a descoberta “fornece a evidência mais clara de que os nossos antepassados começaram a migrar para fora de África muito antes do que pensávamos. E significa também que os humanos actuais terão encontrado e interagido durante muito tempo com outros grupos de humanos arcaicos, proporcionando mais oportunidades para misturas culturais e biológicas“.

De acordo com a informação publicada na revista Science, o fóssil encontrado é um maxilar superior, com pelo menos oito dentes, que permitiu aplicar diversas técnicas de datação. “Enquanto todos os detalhes anatómicos no fóssil de Misliya são totalmente consistentes com os humanos actuais, algumas características também são típicas dos homens de Neandertal e de outros grupos humanos.” As novas provas científicas levantam a possibilidade de os Homo Sapiens terem interagido com outras espécies de humanos, já extintas, por dezenas de milhares de anos. Também foi descoberto que o tecido abaixo da coroa dentária é o mesmo associado aos humanos modernos.

O resultado de três diferentes métodos de datação, conduzidos em três laboratórios diferentes e que não tinham conhecimento do trabalho uns dos outros, mostra que os restos fossilizados têm entre 177 mil e 194 mil anos.

Antes disso, a prova mais antiga da presença de humanos fora da África vinha dos sítios arqueológicos de Skhul e Qafzeh, em Israel, datados entre 90 mil e 125 mil anos. Em Dezembro do ano passado uma investigação também publicada na revista Science dava conta de que a dispersão dos Homo Sapiens a partir de África teria começado 60.000 anos antes do que se supunha, ou seja há cerca de 120 mil anos.

Ainda vão ser precisos muitos testes para descobrir a que população de Homo Sapiens pertencia este maxilar. Os cientistas desconfiam que essa população terá deixado África, mas desaparecido pouco tempo depois, facto que torna pouco provável que a pessoa a quem pertencia este fóssil tenha informação genética que tenha contribuído para o ADN humano actual.

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