Israel está a pedir aos emigrantes africanos que abandonem o país

O Governo oferece cerca de 3 mil euros a cada migrante ilegal que sair do país.

RT

O governo israelita emitiu um aviso onde pede a milhares de emigrantes africanos que deixem o país, sob pena de serem detidos. Receberão até 3.500 dólares (cerca de 3 mil euros) para deixar o país nos próximos 90 dias. Terão a opção de ir para o seu país de origem ou outros e, se não partirem, as autoridades israelitas ameaçam começar a prendê-los a partir de Abril.

O pedido isenta crianças, idosos, vítimas de escravidão e tráfico de seres humanos e o Governo diz que será um processo “humano e voluntário”.

Em reacção, a agência da ONU para os refugiados (ACNUR) diz que o polémico plano viola leis internacionais e israelitas. Oficiais das Nações Unidas dizem estar  seriamente preocupados.

Este plano segue uma decisão do Supremo Tribunal de Justiça israelita emitida em Agosto, que proibia o uso da detenção para forçar a deportação. Uma decisão que vinha sancionar a controversa política de deslocalização forçada introduzida pelo Governo de Israel em Março de 2015. Desde o início deste programa – conhecido como “Programa de Partida Voluntária” -, até Junho de 2017, cerca de 4.000 eritreus e sudaneses foram “transferidos” para o Ruanda e o Uganda, países com os quais Israel firmou acordos para o efeito. Na altura, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, afirmou que um fluxo descontrolado de migrantes africanos pode “ameaçar o carácter judaico de Israel.” 

“Devido ao sigilo em torno desta política e à falta de transparência em relação à sua implementação, tem sido muito difícil para o ACNUR acompanhar e monitorizar a situação das pessoas deslocadas para esses países africanos. No entanto, o ACNUR está preocupado com o facto de essas pessoas não encontrarem segurança adequada ou uma solução duradoura para a sua situação, tendo muitos tentado entretanto viagens perigosas para outros países africanos ou para a Europa”, pode ler-se no comunicado das Nações Unidas.

De acordo com dados da ONU, existem cerca de 27.500 eritreus e 7.800 sudaneses em Israel. Uma vez que Israel assumiu e adoptou a definição do status de refugiado estabelecida pelo ACNUR em 2009, apenas oito eritreus e dois sudaneses foram oficialmente reconhecidos como refugiados pelas autoridades. Outros 200 sudaneses, todos de Darfur, receberam recentemente o estatuto de asilo humanitário.

Um porta-voz da Autoridade de Imigração e População de Israel disse à BBC que actualmente há mais de 38 mil “infiltrados” em Israel, dos quais apenas 1.420 estavam presos em centros de detenção. O termo “infiltrados” é usado por Israel para descrever todos aqueles que não entraram no país por portas oficiais. Muitos dos imigrantes – que vêm principalmente da Eritreia e do Sudão – dizem que foram para o país à procura de asilo, porque fogem de perseguições e zonas de conflito, mas as autoridades classificam-nos como migrantes económicos.