O Pentágono propõe responder a ciberataques com armas nucleares

O uso de armas nucleares costumava ser restrito a um grupo pequeno de situações, como para responder um ataque com armas biológicas.

A versão final da proposta d’o Pentágono deverá ser publicada dentro das próximas semanas e pode abrir uma série de novas possibilidades ao uso de armas nucleares, por levantar diversas restrições até agora vigentes.

A ser aprovado o documento tal como foi apresentado, será permitido o uso de armas nucleares como resposta a uma série de ataques considerados devastadores para as infraestruturas dos EUA e aliados, mesmo se não-nucleares, incluindo aquilo que anteriores e actuais responsáveis da Administração descrevem como os ciber-ataques mais incapacitantes.

O documento foi publicado na semana passada pelo jornal Huffington Post mas só agora começa a ser escrutinado. A conclusão de que os Estados Unidos podem vir a retaliar ataques informáticos com armamento nuclear foi divulgada pelo The New York Times, que analisou a nova estratégia norte-americana para o nuclear, enviada pelo Pentágono à Casa Branca. De acordo com o jornal, o documento, intitulado Revisão da Postura Nuclear, retoma várias ideias da Administração Obama e está a ser revisto pela Administração Trump.

Surge depois de, no ano passado, o actual presidente norte-americano ter encomendado a produção de uma nova doutrina nuclear norte-americana. “Temos de olhar a realidade de frente e ver o mundo como ele é, não como desejaríamos que fosse”, refere a proposta. A iniciativa “realinha a nossa política nuclear com uma análise realística das ameaças que enfrentamos actualmente e as incertezas quanto ao futuro do ambiente de segurança”. Agora, os ciberataques são a nova ameaça, sobretudo se se tratarem de ameaças a redes de distribuição de electricidade, de comunicações ou até de comando de arsenais.

A Casa Branca recusou comentar as notícias e o Pentágono espera pela aprovação da proposta para se pronunciar.

Outras mudanças

As versões preliminares do documento exigem ainda um aumento maciço do stock de armas nucleares, o desenvolvimento de ogivas nucleares de baixo rendimento e mísseis de cruzeiro com armas nucleares para uso dos submarinos da Marinha dos EUA.

A versão ainda não foi aprovada pelo presidente. O Pentágono afirmou que o documento ainda era um rascunho e carecia de uma decisão de Trump.

“Quase tudo sobre esta nova e radical política vai esbater mais ainda o limite entre o uso de armas nucleares e convencionais”, avaliou Andrew Weber, ex-secretário assistente do Pentágono. Se Trump aprovar a estratégia, “vai torna uma guerra nuclear muito mais provável”, completou o analista.