Autoridades matam Óscar Pérez, o antigo polícia que se revoltou com o Governo venezuelano

O ex-agente da polícia e líder do grupo rebelde que operava contra o governo venezuelano morreu durante uma operação policial. "Venezuela, querem assassinar-nos", denunciou num vídeo.

Venezuela

A informação foi confirmada por Caracas esta terça-feira. Responsável pelo ataque com um helicóptero a vários edifícios governamentais em 2017, o grupo de Pérez foi desmantelado na sequência de uma operação das forças de segurança da Venezuela. Néstor Reverol, ministro do Interior, Justiça e Paz venezuelano, foi quem confirmou a morte do líder do grupo, um dos mais mediáticos opositores ao regime venezuelano, garantindo que a localização de Óscar Pérez foi obtida através de informações oferecidas por dirigentes da oposição que estão a negociar com Maduro.

“Estes terroristas, que estavam fortemente apetrechados com armamento de alto calibre, dispararam contra os agentes e tentaram fazer detonar una viatura carregada de explosivos, com o saldo lamentável de dois agentes da Polícia Nacional Bolivariana falecidos e cinco gravemente feridos”, refere um comunicado do Ministério do Interior e Justiça.

Após liderar um ataque com um helicóptero roubado contra edifícios governamentais – entre eles o Supremo Tribunal de Justiça venezuelano -, em Junho de 2017, o antigo polícia estava escondido das autoridades. Na altura, o presidente da Venezuela garantiu que iria utilizar todos os meios para encontrar os responsáveis pelo que considerou um “acto terrorista”.

Na segunda-feira, durante uma operação policia em El Junquito, a oeste de Caracas, Oscar Pérez, de 36 anos, foi assassinado. Várias pessoas morreram durante a operação, incluindo dois polícias, e cinco pessoas foram detidas.

A operação policial gerou muita atenção mediática e quase pôde ser seguida nas redes sociais em directo. Enquanto as forças de segurança o tentavam capturar, Óscar Pérez publicou vários vídeos no Instagram, onde, já ferido, garantia que a polícia não o deixava render-se. “Venezuela, não querem que nos entreguemos. Literalmente, querem assassinar-nos”, disse.

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Reverol negou a versão do antigo polícia, garantindo que o grupo resistiu à detenção. “Apesar das tentativas para conseguir uma solução pacífica e negociada, este grupo terrorista fortemente armado, iniciou, de maneira mal-intencionada, um confronto com os organismos de segurança actuantes”, explicou o Ministro do Interior durante uma conferência de imprensa em Caracas. As declarações do ministro contrastam com vídeos divulgados por Óscar Pérez. Num deles ouve-se a sua chamada de atenção para a existência de mulheres e crianças civis naquele lugar, pedindo para que não disparem e anunciando que se vai entregar.