A resolução de ano novo da Philip Morris: deixar de fumar cigarros

Tabaqueira quer deixar de vender cigarros no Reino Unido.

Durante anos foi publicitado como qualquer outro produto de consumo, levando milhões de pessoas em todo o mundo a fumar, mas a legislação cada vez mais apertada sobre o tabaco tem conseguido diminuir o número de fumadores e as receitas das grandes tabaqueiras, como a Philip Morris. Estas começam, assim, a procurar novas oportunidade de negócio.

É o caso dos cigarros electrónicos, considerados por vários estudos como uma opção mais saudável ao tradicional cigarro, e que, apesar de serem igualmente prejudiciais à saúde, gozam de uma melhor percepção entre os consumidores.

A tabaqueira Philip Morris é uma das multi-nacionais que tem investido nos cigarros electrónicos e quer agora deixar de vender cigarros “normais” no Reino Unido.

A intenção foi comunicada no arranque deste 2018 na forma de um anúncio de página inteira em alguns jornais britânicos. Escreve a Philip Morris que é “conhecida pelos cigarros”, mas que “todos os anos milhares de fumadores desistem deles”, sendo agora a sua vez de fazê-lo. “A nossa ambição é deixar de vender cigarros no Reino Unidos. Não vai ser fácil”, acrescenta a tabaqueira, que, no terceiro trimestre de 2017, fez 20 mil milhões de dólares em vendas líquidas, das quais resultaram perto de 5 mil milhões em lucro – números consistentes com os trimestres anteriores.

No Reino Unido existem, segundo a Philip Morris, 7,6 milhões de adultos fumadores. “O melhor que eles podem fazer é deixar de fumar. Muitos vão consegui-lo”, lê-se no anúncio da tabaqueira, numa mensagem que é contrária aos anúncios que no século XX dominaram a publicidade ao tabaco e que podem ser recordados com uma simples pesquisa no Google.

“Mas muitos vão continuar a fumar”, acrescenta a Philip Morris. E é aqui que a tabaqueira introduz os cigarros electrónicos e o tabaco aquecido, referindo as 2,5 mil milhões de libras que já investiu em pesquisa e desenvolvimento destas alternativas, acreditando “estar a fazer a diferença” por “milhões de fumadores adultos já terem abandonado os cigarros e optado por melhores opções”.

Um anúncio que faz mal à saúde

Em 2018, a Philip Morris planeia: lançar um site no qual será possível encontrar informação sobre deixar de fumar e outras soluções com nicotina; apoiar organizações locais que incentivam o deixar de fumar; trabalhar com o Governo na introdução de informações sobre deixar de fumar e as novas opções com nicotina nos maços; e expandir os produtos alternativos aos cigarros no Reino Unido, onde a campanha está a decorrer.

Depois do declínio do tabaco tradicional e da maior legislação, a Philip Morris parece estar empenhada em assegurar o seu futuro enquanto empresa com novas alternativas aos maços de cigarro, aproveitando a regulação mais branda que (ainda?) existe relativamente a estes produtos e procurando boas relações com autoridades e governos.

Em Setembro de 2017, a Organização Mundial da Saúde recomendou aos governos rejeitassem o plano da Philip Morris para criar uma fundação para um Smoke-Free World, dizendo que a indústria do tabaco e os “grupos da frente” estavam “enganando” o público sobre o dano para a saúde dos produtos alternativos de tabaco.