Estamos mais perto do apocalipse: o relógio do Juízo Final foi adiantado 30 segundos

Tudo por culpa de Donald Trump, das armas nucleares e do clima.

fim do mundo
 
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A comunidade científica diz que estamos cada vez mais perto do fim do mundo e, por isso mesmo, o relógio do Juízo Final foi adiantado trinta segundos. Essa função, de adiantar ou atrasar o relógio, cabe ao Boletim dos Cientistas Atómicos, que tem a responsabilidade de contabilizar a distância, ou o risco, a que estamos de a humanidade se destruir a si própria. Foi Rachel Bronson, a editora chefe do Boletim, quem fez anúncio. “Devido ao extraordinário perigo do momento actual, a Comissão de Ciência e Segurança adianta o relógio 30 segundos para mais próximo da catástrofe. Faltam agora dois minutos para a meia-noite – o mais próximo que o relógio alguma vez esteve do ‘Dia do Juízo Final’, e tão próximo quanto esteve em 1953, no pico da Guerra Fria.”

No comunicado, salientam que “o aviso que agora é enviado é claro: o perigo é óbvio e iminente”. Bronson, salientou que “apesar de o BAS se focar no risco nuclear, nas alterações climáticas e nas tecnologias emergentes, o panorama nuclear ocupou o centro da cena na declaração deste ano”. Isto porque, justificou, “os principais actores no nuclear estão à beira de uma nova corrida às armas, uma que vai ser muito dispendiosa e aumentar a possibilidade de acidentes e erros de percepção”.

Do documento, salientou-se ainda que “o mundo tem visto a ameaça colocada pelo mau uso das tecnologias de informação e testemunhou a vulnerabilidade das democracias à desinformação.” 

Em 2017, a chegada de Donald Trump à Presidência dos EUA foi o bastante para o BAS adiantar o relógio para dois minutos e meio antes da meia-noite. Essa foi aliás a primeira vez que a comissão de Ciência e Segurança do BAS divulgou uma variação temporal inferior a um minuto, apenas e só porque Trump era Presidente há alguns dias.

O chamado relógio do Juízo Final já esteve nos dois minutos para a meia-noite, em 1953, quando os Estados Unidos e a União Soviética estavam a testar bombas de hidrogénio. E esteve a dezassete minutos do fim em 1991, quando terminou a Guerra Fria, quando os Estados Unidos e a Rússia estavam activamente a negociar o controlo de armamento.

Em Janeiro de 1947, quando o Boletim dos Cientistas Atómicos apresentou ao mundo o relógio, o ponteiro dos minutos foi posto a sete minutos da meia-noite. Na altura, a Grande Guerra já era passado, mas por outro, Berlim estava dividida em dois e a corrida às armas nucleares continuava rápida.

Com Estaline e Eisenhower no poder, em 1953,  o relógio chegou a estar a dois minutos do fim do mundo. Para os cientistas, há uma grande diferença desse ano para os tempos que vivemos agora. É que em 53, quando o relógio esteve pela última vez a dois minutos da meia-noite, as alterações climáticas eram uma ameaça longínqua e hipotética. Desde então, a poluição originada pelo dióxido de carbono e pela queima de combustíveis fósseis que enviamos para a atmosfera, aumentou seis vezes. E, não surpreendentemente, como consequência, a Terra aqueceu, agora em cerca de um grau.

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