Reproduzimos mais quando festejamos

A nossa actividade reprodutiva e interesse sexual estão relacionados com as épocas festivas que celebramos, como o Natal.

Desde há várias décadas que sabemos que o interesse sexual do ser humano não é uniforme e homogéneo ao longo de todo o ano. Existem determinadas épocas em que se identificam picos de nascimentos extremamente marcados e que se repetem impreterivelmente no ano seguinte, exactamente na mesma altura.

Este fenómeno tem sido estudado ao longo dos anos e os especialistas dividem-se entre duas grandes teorias que procuram explicar estas variações: a teoria biológica e a teoria cultural. A teoria biológica defende que o interesse sexual dos humanos é influenciado pela rotação da Terra em torno do Sol e pelas estações do ano que dela advêm – são factores como as alterações climatéricas e a duração dos dias aqueles que mais influenciam a libido e a actividade sexual dos seres humanos. Segundo esta teoria, deveriam existir diferenças significativas entre os picos verificados no hemisfério norte e no hemisfério sul do nosso planeta. Por outro lado, a teoria cultural defende que são as épocas festivas e as cerimónias religiosas as que mais influenciam o apetite sexual e a vontade reprodutiva de cada um de nós. Nesta teoria, mais do que a localização geográfica, é a cultura e a religião de cada povo que mais pesa.

Apesar destas teorias muito distintas e bem definidas, nunca foi possível perceber qual delas é a mais certa. Na verdade, a grande maioria dos investigadores que se dedicou a esta temática teve sempre o mesmo problema de enviesamento: os grupos populacionais em estudo são maioritariamente cristãos e residentes no hemisfério norte.

No entanto, uma equipa de investigadores do Instituto Gulbenkian da Ciência (IGC) e da Universidade de Indiana, nos EUA, veio abanar este clima de incerteza e, através da ajuda do motor de busca Google e do Twitter, foi capaz de provar que são os factores culturais aqueles que mais influenciam a reprodução do ser humano. Concluiu-se que é em algumas épocas festivas e religiosas que se observa um maior pico de pesquisa e partilha de interesse sexual na internet, reforçando a importância dos estados de espírito colectivos para o comportamento reprodutivo da nossa espécie.

Podemos pegar como exemplo no pico conhecido de nascimentos que ocorre todos os anos no mês de Setembro e que está directamente relacionado com a alegria e consequente aumento do interesse sexual que surge no final do ano, com a época natalícia e a passagem de ano.

Este estudo foi esta semana publicado na revista Scientific Reports da Nature, contando com a participação especial de dois portugueses, Joana Gonçalves Sá e Luís M. Rocha. O artigo pode ser consultado na sua íntegra aqui.