Ripple: a criptomoeda amiga do sistema financeiro

É, neste momento, o número 3 das criptomoedas, logo a seguir à Bitcoin e ao Ethereum.

criptomoeda

Nos últimos meses, a discussão em torno das criptomoedas centrou-se sobretudo em duas delas: a Bitcoin, a criptomoeda mais conhecida e também a primeira a ser criada; e o Ethereum, uma criptomoeda mais aberta, que se tornou popular por isso mesmo – as pessoas podem usar o Ethereum para criar aplicações ou até as suas próprias criptomoedas.

Mas há uma terceira criptomoeda que tem ganho cada vez mais a atenção. Foi, aliás, a moeda digital que mais valorizou em todo o ano passado – 36000%. Apesar desta subida a pique, cada unidade de Ripple vale hoje cerca de 1-2 dólares. Se o valor unitário é baixo, a percentagem elevada de há pouco explica-se, então, com o grande volume de unidades de Ripple que existem em circulação e que vai aumentar ainda mais no futuro.

O Ripple cresceu (bem) mais que a Bitcoin em 2017, mas não foi a única altcoin – nome dado às criptomoedas que não são a Bitcoin – a valorizar tanto no ano passado. Numa tabela compilada pelo Quartz, encontramos a NEM, a Ardor, a Stellar, a Dash, o Ethereum, a Golem, a Binance Coin, a Litecoin e a OmiseGO juntamente com a Ripple nas primeiras 10 posições; a Bitcoin só surge em 14º lugar. Se no início do ano passado 37% do valor total de mercado de criptomoedas era devido à Bitcoin, hoje a invenção de Satoshi Nakamoto ronda os 35%.

O maior crescimento da Ripple deu-se em Dezembro, quando o valor unitário, que ao longo do ano tinha rondado os 20 cêntimos, ultrapassou um dólar. A Ripple e a comparação à Bitcoin não é por acaso, este projecto funciona numa lógica contrária, uma vez que a tecnologia de blockchain que o suporta é privado e centralizado numa empresa – a Ripple.

A Ripple – anteriormente chamada de OpenCoin e de Ripple Labs – emitiu 100 mil milhões de XRP (as unidades de Ripple) aquando da criação da moeda e geriu estes activos numa primeira fase, tendo depois dividido essa tarefa com alguns parceiros, nomeadamente bancos e outras entidades financeiras, como o Bank of America, o Royal Bank of Canada, o Santander, o UniCredit ou o BBVA. A Ripple é, assim, a criptomoeda que reúne maior compaixão por parte do actual sistema financeiro mundial, não sendo, por isso, recomendada pelos defensores mais puristas da ideia de transparência e liberdade por detrás da tecnologia de blockchain.

Uma moeda para transacções bancárias em segundos

Porque é que os bancos gostam da Ripple? Por um lado, ajuda-os a garantir um assento confortável no novo mundo das criptomoedas. Por outro, e talvez mais importante, o Ripple – ou melhor o XRP – permite transacções monetárias de baixo custo e numa lógica escalável – até 1500 transacções/segundo (a Bitcoin só aguenta 7 transacções/segundo). Isto interessa aos bancos: quanto mais demorar uma transferência, menor é a liquidez das instituições bancárias, e elas precisam e vivem da liquidez.

A XRP é o elemento intermediário usado para fazer transacções na RippleNet. A RippleNet é uma rede de pagamentos internacionais, que permite transacionar quantias monetárias – em XRP – entre diferentes países. Assim, se queremos enviar 50 euros para os Estados Unidos, com a RippleNet podemos fazê-lo de forma quase imediata – os 50 euros são convertidos em unidades de XRP e chegam às terras norte-americanas na forma de dólares. O processo demora uns meros segundos e não dias, ao contrário de uma transferência bancária tradicional. Assim, a Ripple não é mais do que uma moeda digital – constituída pelo RippleNet e pelo XRP –, cujo propósito principal é a realização de transferências bancárias a uma escala global.

 

Como para todos os efeitos a Ripple é baseada em blockchain, todas as transacções efectuadas ficam registadas na XRP Ledger, uma base de dados que não está acessível a todos, mas apenas para quem faz parte do ecossistema Ripple.

O lado centralizado da Ripple

A Ripple – cuja primeira referência remonta a 2004, num artigo da Bitcoin Magazine assinado por Vitalik Buterin, nome que deves conhecer da moeda Ethereum – tem duas particularidades interessantes. Uma delas chama-se Escrow. Podes pensar nela como uma espécie de cofre digital, onde são guardados os XRP. Em Dezembro do ano passado, foram colocados 55 mil milhões de XRP em Escrows e, todos os meses, vão ser libertados quantias de mil milhões de XRP de forma automática. As unidades já em circulação que não forem utilizadas voltam para estes cofres, podendo ser utilizadas apenas 55 dias depois.

Outra característica da Ripple é que, por cada transacção feita, o número de XRP em circulação diminui, isto é, os respectivos tokens (que identificam cada quantia) são “queimados”. Com este processo, consegue-se dar estabilidade à moeda, uma vez que é criada deflacção da mesma. Estima-se que estejam a ser “queimados” três XRP a cada segundo.

Como a Ripple é emitida pela empresa supra referida, é uma moeda que não pode ser minerada, o que, por um lado, evita os avultados gastos energéticos da Bitcoin ou do Ethereum, por exemplo; e por outro, afasta esta criptomoeda da especulação das suas concorrentes. Não existindo mineração, ninguém além da Ripple-firma pode criar novas unidades de XRP e colocá-las em circulação. Hoje, os tokens de XRP são comercializados em mais de 50 plataformas de transacção de criptomoedas, segundo informação oficial da empresa.