82% da riqueza global é direccionada apenas para 1% da população

Entre 2006 e 2015, um trabalhador comum viu a sua receita subir 2%, por ano. Contrariamente, e no mesmo período de tempo, os rendimentos de um bilionário subiram 13% ao ano.

82% da riqueza global foi direcionada, em 2017, para apenas 1% da população, avisa a Oxfam. “No ano passado, assistimos ao maior crescimento de bilionários da história”, continua a organização de apoio social no seu relatório, publicado esta segunda-feira.

Em 12 meses, esta pequena fatia da população viu a sua riqueza crescer para os 762 biliões de dólares, valor que serviria para acabar com a pobreza extrema global sete vezes. Contudo, este crescimento acentuado do número de bilionários não se trata de um sinal de prosperidade na economia. Revela, antes, falhas no sistema económico ao nível global, assegura a directora-executiva da Oxfam, Winnie Byanyima.

O relatório da Oxfam insiste ainda na disparidade da distribuição de riqueza entre os mais ricos e os mais pobres e afirma que, enquanto 82% são encaminhados para 1% da população, que já se encontra no topo, 50% da população mais pobre não assiste a qualquer crescimento. Para além disso, os dados mais recentes da Credit Suisse revelam que o mesmo valor da riqueza que se encontra distribuído, actualmente, por 3,7 biliões é detido apenas por 42 pessoas, que se encontram no topo.

Entre 2006 e 2015, um trabalhador comum viu a sua receita subir 2%, por ano. Contrariamente, e no mesmo período de tempo, os rendimentos de um bilionário subiram 13% ao ano.

Segundo a organização de apoio social, demora apenas quatro dias para um CEO de uma das cinco maiores marcas de moda alcançar o valor que um trabalhador industrial do Bangladesh ganha a vida toda. Nos Estados Unidos, o saldo de dia de trabalho de um CEO é o equivalente ao valor que um trabalhador comum norte-americano ganha num ano.

Para além da diferença na distribuição da riqueza global, a Oxfam chama a atenção para o facto “mais chocante” do mercado de trabalho, a escravatura moderna. Os dados da International Labour Organization (ILO) estimam que, em 2016, 40 milhões de trabalhadores foram escravizados, 25 milhões dos quais em regime forçado.

Relativamente à população jovem activa, a Oxfam revela que 43% se encontra desempregada ou a trabalhar e a viver na pobreza. 500 milhões do total sobrevivem com menos de dois dólares e quatro milhões desses trabalhadores escravizados são crianças.

A segurança no trabalho é outro dos temas abordados no relatório da Oxfam. Segundo a ILO, 2,78 milhões de trabalhadores morrem todos os anos devido a doenças ou acidentes desenvolvidos no horário laboral, uma média de um em cada 11 segundos.

A diferença de género também é apontada pela Oxfam, que assegura que, apesar de em cada dois dias ter surgido, em média, um novo bilionário no mundo, nove em cada 10 são do sexo masculino.

Globalmente, o número de homens e de mulheres que possuem propriedades, acções ou outros ativos de capital é muito díspar. No Burundi, apenas 11% das mulheres possui propriedades rurais, enquanto que a percentagem de homens é de 50%.