Depois da polémica com Trump, Steve Bannon deixa Breitbart News

Os motivos da saída de Steve Bannon ainda são desconhecidos mas são cada vez mais os indícios que mostram a proximidade entre o site da alt-right norte-americana à administração Trump.

Steve Bannon Donald Trump Breitbart
Flickr/Michael Vadon

Tudo começou com o livro mais falado do momento. Em Fire and Fury: Inside the Trump White House, do jornalista Michael Wolff, Bannon é citado a dizer, entre outras coisas, que a reunião do filho do Presidente, Donald Trump Jr., com uma advogada russa em Junho de 2016, em Nova Iorque, foi “uma traição”. As declarações foram criticadas por Trump, que acusou o seu antigo conselheiro de ter perdido não só o emprego, como “a cabeça” e de “fingir estar em guerra” com meios de comunicação, aos quais “divulgou informação falsa para fazer passar-se por mais importante do que realmente era” durante os seus tempos na Casa Branca.

No livro, Bannon contou ainda alguns podres pessoais do Presidente, como o facto de ser viciado em ver televisão na cama enquanto come hambúrgueres entre lençóis, e faz um retrato que reforça a tese dos opositores, de que Trump não tem perfil para o cargo.

Steve Bannon recuou entretanto nas críticas feitas aos filhos do Presidente, mas terá sido demasiado tarde, já numa altura de guerra aberta, havendo até rumores de que Trump terá pedido aos amigos e aliados de ambos que escolhessem entre si e o seu ex-braço direito.

O criador do slogan tão caro ao milionário, “a América primeiro”, deixa agora o cargo de director executivo do site Breitbart News, órgão ligado à chamada alt-right norte-americana (a nova extrema direita).

A saída foi anunciada pela empresa em comunicado. Bannon afirmou também que está “orgulhoso no que a equipa do Breitbart alcançou num tão curto espaço de tempo ao construir uma plataforma de notícias de nível mundial”.

Sem avançar com nenhuma explicação para a saída, Larry Solov, presidente executivo da Breitbart News, reagiu elogiando o seu trabalho e “contributo”. O Steve é uma parte valiosa do nosso legado e estaremos sempre gratos pelo seu contributo”, afirmou o presidente, citado pela agência Reuters.

No entanto, o New York Times dá conta de que Bannon terá sido forçado a demitir-se por Rebekah Mercer, principal financiadora e detentora da maioria do capital do órgão.

O Breitbart News foi fundado em 2007 pelo comentador conservador Andrew Breitbart, acabando por ficar ganhar especial popularidade durante a liderança de Bannon e durante a campanha presidencial norte-americana de 2016 onde declarou apoio a Donald Trump. O site ficou, no entanto, ligado à divulgação de várias notícias falsas e teorias de conspiração inventadas com o objectivo de marcar a sua agenda política. Muito do conteúdo publicado na plataforma de notícias é regularmente considerado racista, xenófobo, sexista e é assumido por muitos como um veículo de comunicação da extrema-direita. Bannon era director executivo do Breitbart News desde 2012, tendo deixado o site em Agosto de 2016 para assumir o cargo de conselheiro de Trump.

Foi afastado em Agosto de 2017, numa decisão condizente com a sua também polémica nomeação, por dar a Bannon acesso a reuniões de grande importância. Na altura, a Casa Branca pouco explicou sobre a sua demissão, tendo vindo a público vários relatos de que o chefe de estratégia de Trump estaria regularmente envolvido em momentos de tensão com a Administração. Acabou por regressar ao site, que deixa agora.