Cientistas descobrem dois planetas potencialmente habitáveis

Amy Barr e a sua equipa, na Hungria, criaram modelos matemáticos dos sete planetas do sistema Trappist-1 e do seu interior, concluindo que seis deles provavelmente têm água.

TRAPPIST
Ilustração via NASA
 
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Um grupo de cientistas descobriu dois planetas capazes de reunir, em teoria, as condições necessárias para suportar vida, semelhantes àquelas que existem no planeta Terra e que lhes valeram, por isso, a designação de planetas potencialmente habitáveis.

Os planetas descobertos fazem parte de um sistema composto por um total de sete corpos celestes, descoberto em 2017, que chamou à atenção da comunidade científica pela quantidade, proximidade a uma estrela-anã e pela semelhança entre as suas dimensões e as dimensões da terra. Este sistema planetário foi baptizado com o nome  de Trappist-1, derivado do telescópio TRAPPIST, localizado no observatório de La Silla, no Chile. Os sete planetas que o compõe giram em torno de uma estrela anã, homónima a todo o sistema, a Trappist-1. Ao contrário do Sol, esta é uma estrela anã ultra-fria. Isto significa que a estrela é fria o suficiente para que à distância a que se encontram os planetas em órbita possa haver condições propícias à existência de água no estado líquido ou sólido. 

Este facto é especialmente relevante, uma que vez que até à data nunca tinham sido descobertos tantos planetas com tamanho semelhante ao da Terra, em volta da mesma estrela ou numa zona onde as temperaturas demasiado altas provenientes das explosões na superfície estelar não acabem, logo à partida, com as hipóteses de existir vida, explica o The Guardian.

Ilustração via NASA

 O sistema de Trappist-1 está a 39 anos-luz da Terra, na constelação Aquarius, pelo que agora a investigação e estudo decorre sobretudo em laboratórios e computadores. Na Hungria, a equipa de cientistas liderada por Amy Barr criou modelos matemáticos dos sete planetas e do seu interior, concluindo que seis deles muito provavelmente têm mesmo água. Foram também criados modelos das possíveis órbitas de cada planeta, de modo a inferir sobre a temperaturas de cada um deles. Por uma questão de identificação, cada planeta foi ainda denominado com uma das primeiras sete letras do alfabeto.

O estudo acima referido e publicado no Astronomy & Astrophysics, refere agora que dois destes sete planetas (“d” e “e”) encontrados no ano passado podem mesmo ser habitáveis por apresentarem temperaturas razoáveis.

O The Guardian adianta ainda que o planeta “d”, de acordo com as estimativas dos cientistas, terá uma temperatura à volta dos 15 ºC. Já o planeta “e” será mais frio, com “temperaturas parecidas as da Antártida, mas também razoáveis” do ponto de vista científico.

Para um planeta ser considerado potencialmente habitável deve juntar à possibilidade de existência de água, uma temperatura razoável que permita a existência de vida — algo que resulta de um cruzamento raro de várias características como a distância à estrela principal e as forças aplicadas no sistema. O planeta não pode estar demasiado próximo sob pena de atingir temperaturas demasiado elevadas, nem demasiado distante por poder congelar — assim para cada estrela existirá uma distância óptima para que se possa considerar a habitabilidade do planeta.

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