União Europeia vai investir mil milhões em supercomputadores, Portugal incluído

"Nenhum país, nenhuma universidade, nenhuma empresa, conseguiriam sozinhos o que nós hoje estamos a fazer", defendeu o comissário europeu para a Investigação, Ciência e Inovação, Carlos Moedas.

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A Comissão Europeia apresentou esta quinta-feira planos para investir mil milhões de euros, em conjunto com os Estados-membros, na construção de uma infraestrutura europeia de supercomputadores de craveira mundial. Segundo o projecto de Bruxelas, uma nova estrutura jurídica e de financiamento – a EuroHPC, empresa comum – vai adquirir, desenvolver e implantar em toda a Europa uma infra-estrutura de computação de alto desempenho (HPC) e de craveira mundial.

Além disso, apoiará um programa de investigação e inovação para o desenvolvimento de tecnologias e máquinas (equipamento informático), bem como de aplicações (suporte lógico) que possam funcionar nesses supercomputadores. “Nenhum país, nenhuma universidade, nenhuma empresa, conseguiriam sozinhos o que nós hoje estamos a fazer”, disse, em conferência de imprensa, o comissário europeu para a Investigação, Ciência e Inovação, Carlos Moedas.

Segundo um comunicado, a contribuição da União Europeia (UE) para a EuroHPC será de cerca de 486 milhões de euros, no âmbito do atual Quadro Financeiro Plurianual, a que acrescerão as contribuições dos Estados-membros e de países associados, num montante total semelhante. Globalmente, até 2020, o investimento público ascenderá a cerca de mil milhões de euros, a que se juntarão contribuições em espécie das entidades privadas participantes na iniciativa.

As verbas serão aplicadas na aquisição e utilização de duas máquinas de supercomputação a pré-exaescala (100 mil biliões de operações por segundo) de craveira mundial e de, pelo menos, duas máquinas de supercomputação intermédias (capazes de efectuar cerca de 1016 operações por segundo), bem como na concessão e gestão do acesso de um largo espectro de utilizadores públicos e privados a estes supercomputadores a partir de 2020.

A EuroHPC irá também apoiar o desenvolvimento de tecnologias europeias de supercomputação, incluindo a primeira geração europeia de tecnologia de microprocessadores de baixo consumo energético, a concepção colaborativa de máquinas à exaescala (um trilião de operações por segundo) europeias, e o desenvolvimento de competências e de uma utilização mais ampla da HPC.

A empresa conjunta EuroHPC estará ativa de 2019 a 2026, sendo a infraestrutura prevista propriedade conjunta dos seus membros – numa primeira fase, os países signatários da Declaração EuroHPC (um total de 13, incluindo Portugal) e os membros privados das universidades e da indústria – e por estes gerida

A esta iniciativa poderão aderir, em qualquer momento, outros membros, mediante contribuição financeira. O tratamento de quantidades cada vez maiores de dados, em domínios como os cuidados de saúde e as energias renováveis à segurança dos veículos e à cibersegurança, requer supercomputadores.

A Comissão Europeia considera “cruciais” para a competitividade e a independência da UE na economia dos dados os planos agora apresentados, uma vez que a indústria e os cientistas europeus tratam, cada vez mais, os seus dados fora da UE porque a capacidade de computação disponível não é suficiente para satisfazer as suas necessidades de cálculo. Bruxelas considera que “esta falta de independência compromete a privacidade, a proteção dos dados, os segredos comerciais e a propriedade dos dados, em particular os das aplicações sensíveis”.

Texto de Lusa
Foto via Flickr

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