Há 10 anos, os Vampire Weekend editaram no Inverno o disco desse Verão

Os Vampire Weekend serão os sucessores diretos dos Arctic Monkeys. Jovens, frescos, mas sem uma ideia musical necessariamente nova.

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Era para ser um provável fracasso cinematográfico (é espreitar para o trailer), mas acabou nome de banda de sucesso: Vampire Weekend. Quatro jovens acabados de sair da universidade, de Columbia, num contexto ideal, a Brooklyn da moda, e a editar no inverno o disco desse verão de 2008.

Nova Iorque já não era bem a de Is This It? dos Strokes nem a de Turn on the Bright Lights dos Interpol. Um novo “movimento” artístico dava conta de um sem número de bandas que a partir de Brooklyn faziam do bairro “o local mais excitante do mundo, musicalmente falando”. As palavras de Alex Miller, então Editor de Novas Bandas do NME, traduzem o entusiasmo da imprensa musical perante o fenómeno que ia oferecendo bandas como os LCD Soundsystem, TV on the Radio, The National, MGMT, Dirty Projectors, Yeasayer, Hercules & the Love Affair, Santogold, Grizzly Bear e Battles. Só nos primeiros 10 dias de Março são editados artigos focados na “cena de Brooklyn” no Ipsílon (dia 7), Stereogum (dia 8) e New York Times (dia 9).

Numa altura em que ainda fazia sentido discutir a blogosfera e o Myspace, os Vampire Weekend serão os sucessores diretos dos Arctic Monkeys. Jovens, frescos, mas sem uma ideia musical necessariamente nova. Vampire Weekend sublinha a africanização do ocidente de uma forma tão desprentensiosa que não tem como se apontar pingo de presunção. Ezra Koenig, no fundo a cara da banda, ouvira compilações de música africana e certamente o tão apontado Graceland. O som é tão personalizado que “soar a Vampire Weekend” passou a ser uma realidade. Na retina ficaram canções como “Oxford Comma”, uma “pontuation jam” (Koenig dixit), com a célebre referência a Lil Jon que acabaria por “pagar” o elogio com uma aparição do rapper no vídeo de “Giving Up the Gun”, “Cape Cod Kwassa Kwassa” que rima “Louis Vuitton” com “sandy lawn” e “reggaeton” e acaba a mencionar Peter Grabiel. Na verdade, tem vezes em que o discurso parece fluído, tem outras em que se limitam a escrever coisas para depois fecharem com uma punchline. Como essa que termina com “It feels so unnatural, Peter Gabriel too!”.

No final do dia são apenas amigos de escola a escrever sobre amigos de escola, carreiras de autocarro e outras fatalidades universitárias.   

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