Zonas mortas nos Oceanos quadruplicaram em tamanho desde 1950

Actualmente, as zonas mortas nos Oceanos deverão ser equivalentes à área da União Europeia.

 
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São zonas nos Oceanos onde não há oxigénio ou os níveis do “combustível” necessário à vida são muito baixos. São, por isso, zonas mortas. Desde 1950, esses territórios mortos submarinos quadruplicaram, segundo aponta um estudo recente. A causa é a actividade humana, nomeadamente as alterações climáticas.

De acordo com os cientistas, são os combustíveis fósseis que estão a provocar esta de-oxigenação dos Oceanos a larga escala, uma vez que levam ao aumento da temperatura do mar e água mais quente transporta menor quantidade de oxigénio. Muitas das espécies marinhas não conseguem sobreviver nas chamadas zonas mortas e a actual tendência é para uma extinção em massa, o que pode colocar em risco centenas de milhões de pessoas que dependem do mar para a sua subsistência ou para a sua alimentação.

O estudo, publicado na revista Science, lembra que “os principais acontecimentos de extinção na história da Terra estiveram associados a climas quentes e oceanos com níveis de oxigénio deficientes”. Denise Breitburg, investigadora norte-americana, que liderou esta análise, diz que “seguindo a trajectória actual, é onde iremos parar” e que “este é um problema que podemos resolver”. “Parar as alterações climáticas exige um esforço global, mas mesmo as acções locais podem ajudar a inverter o declínio de oxigénio”, acrescenta.

Denise dá como exemplo a recuperação feita na Baía de Chesapeak, nos Estados Unidos, e no Rio Tamisa, no Reino Unido, onde a melhoria das práticas agrícolas e de tratamento de esgotos levaram a uma diminuição da área das zonas mortas. Mas Robert Diaz, que reveu o novo estudo, diz que as diminuição de oxigénio nos Oceanos não é um problema prioritário para os Governos e que só com “uma mortalidade severa e persistente de pesca” é que poderá existir alguma tomada de consciência para esta questão.

Estima-se que os Oceanos alimentem mais de 500 milhões de pessoas, especialmente nas áreas mais pobres, e deem emprego a 350 milhões de pessoas. Pelo menos 500 zonas mortas foram detectadas junto às costas – em 1950 tinham sido detectadas apenas 50. Dada a falta de monitorização em algumas regiões, esse número pode ser bem maior. Actualmente, as zonas mortas nos Oceanos deverão ser equivalentes à área da União Europeia, segundo escreve o The Guardian.

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