Uma conversa sobre media em que participámos e que merece a tua atenção

Um dos painéis do Ciclos de Comunicação organizado pela Escola Superior de Educação e Ciências Sociais de Leiria.

conversa sobre media

O Shifter esteve, esta quinta-feira, em Leiria a convite da Escola Superior de Educação e Ciências Sociais (ESECS). João Ribeiro, co-fundador e director editorial do projecto, participou num painel sobre o futuro do jornalismo e da comunicação estratégica.

É raroque as conferências em que participamos nos surpreendam muito, porque geralmente conhecemos todos os intercomunicadores. Os Ciclos de Comunicação, organizados pela ESECS em Leiria, fizeram-no, juntando na mesma de discussão um professor jubilado com mais de 40 anos de estudos na área da comunicação (José Manuel Nobre-Correia), um dos principais responsáveis pelo grupo Global Media e fundador do jornal macaense A Plataforma (Paulo Rego), um colaborador de um projecto inovador do Público (Guilherme de Sousa) e um especialista em detecção de tendências (Luís Rasquilha), com moderação do docente Paulo Agostinho, também editor na Agência Lusa e do antigo docente, Bruno Rego, director criativo de uma agência de design e comunicação.

Ciclos de Comunicação 2018 em direto: Futuro dos media. Oradores: João Ribeiro, Guilherme de Sousa, Paulo Agostinho, Bruno Rego, José Manuel Nobre-Correia e Paulo Rego.

Publicado por Ciclos de Comunicação em Quinta-feira, 22 de Fevereiro de 2018

“O que pretendemos no Shifter é perceber como é que, sem perder qualidade e conteúdo, nos podemos adaptar à forma como as pessoas consomem os produtos, referiu João Ribeiro, salientando que os robôs e a inteligência artificial não são uma ameaça ao jornalismo, podendo retirar aos jornalistas algum do trabalho de redacção chato e pouco meritório.

José Nobre Correia foi figura distinta no debate. Os seus anos de estudo da situação dão-lhe uma perspectiva histórica irrepreensível do panorama mediático europeu, que nos ajuda a compreender certos fenómenos, dando como exemplos explicativos os casos de sucesso e insucessos, comparando modelos e posicionamentos e apelando, por fim, à necessidade de editores. Afinal, diz, no jornalismo há demasiados políticos e poucos editores, que definam os temas que são interessantes e lhes dêem abordagens cativantes.

Paulo Rego, da Global Media, juntou-se via Skype e teve a sua presença condicionada pela velocidade da internet, que, mesmo nestas alturas em que se fala de futuro, teima em falhar. Partilhou com o público algumas das ideias gerais que o seu grupo tem em mente, nomeadamente no que toca à exploração da língua portuguesa enquanto veículo de informação global e 5º língua mais falada online, dando o seu exemplo pessoal uma vez que actualmente se encontra a dirigir um jornal português em macau.

Guilherme Sousa, do Público, mostrou como um jovem diferenciado desde os tempos de faculdade pode integrar um projecto num media tradicional e acompanhar a sua renovação e inovação. Integrante do programa de podcasts do Público, projecto financiado pela Google, o jovem e antigo estudante da ESECS falou na primeira pessoa, dando um testemunho tranquilo e prova do seu sucesso profissional que a muitos alunos deve ter sabido bem ouvir.

Bruno Rego e Paulo Agostinho dividiram a moderação, mas nem por isso se abstiveram de participar no debate. Repescando geralmente a intervenção dos oradores que lhes antecediam, souberam pontuar a mais de hora e meia de conversa, mantendo o interesse e o foco de todos – participantes e palestrantes – e fundido as ideias chave.

Luís Rasquilha fez-se ouvir numa intervenção gravada que serviu para fechar o debate e que, apesar de o português não ter acompanhado a conferência, parecia decorrer numa sequência propositada daquilo que tinha sido dito durante a conversa.