Estação Espacial está em queda livre, mas não precisas de ter medo

Portugal tem sido apontado como um dos locais da provável queda de objectos relacionados com a Estação Espacial Chinesa Tiangong-1, mas mesmo essa probabilidade deve ser relativizada.

Estação Espacial Tiangong
A Estação Especial Chinesa, Tiangong-1, captada pelo radar do Fraunhofer FHR (foto via ESA)
 

Comecemos pela conclusão para descansar os mais sensíveis: a probabilidade da Estação Espacial Chinesa (EEC), ou parte considerável desta, chegar com perigo ao nível do solo é relativamente baixa. Mais baixa ainda é a probabilidade desse impacto se dar em parte habitada do planeta. É certo que o aparelho espacial chinês está em queda livre, descontrolado desde 2016 e cairá portanto em parte incerta; no entanto, as previsões de especialistas e a estatística apurada de casos anterior permitem-nos ficar relativamente descansados.

Estação Espacial pode desintegrar-se pelo caminho

O primeiro dos factores a considerar sobre a queda deste ou qualquer outro corpo no espaço terrestre é a sua probabilidade de desintegração. Ao cruzar as primeiras camadas da atmosfera terrestre, o ‘Palácio Celestial’, que pesava cerca de 8500 quilos no momento do seu lançamento, sofrerá as primeiras perdas significativas em termos de massa e volume.

Satélites mais pequenos costumam desfazer-se por completo neste momento, mas pela densidade e peso do Tiangong-1, o nome de baptimo da Estação Especial Chinesa, há a probabilidade do choque não ser totalmente destrutivo, podendo algumas das partículas resultantes pesar até 100 kg.

E, se esse cenário continua a parecer preocupante, recorde-se que uma situação semelhante foi registada com a MIR, a Estação Espacial Russa, que foi desactivada em 2001. Na altura, os pedaços que restaram, depois de se ter desintegrado ao tocar atmosfera terrestre, caíram em chamas no Oceano Pacífico, a uma distância de cerca de 2 mil quilómetros da Austrália.

Há mais água que terra

A baixa probabilidade de atingir com perigo humanos ou estruturas deve-se ao facto de cerca de 70% da superfície planeta ser composta por oceanos e por, mesmo a superfície terrestre, não ser totalmente habitada. Para além disso, o tamanho deste objecto não é novidade para o Homem. O Tiangong-1 é apenas o 50º nome na lista dos corpos mais pesados a entrar em queda livre em direção à terra.

De resto, e para evidenciar a excepção que neste caso confirma a regra da baixa probabilidade de ser atingido por lixo espacial, a história reporta apenas um caso confirmado de uma mulher atingida por um pedaço que se acredita ter feito parte de um foguetão. A norte-americana Lottie Williams foi, em 1997, atingida por um pedaço de metal no ombro enquanto andava num parque, mas a dimensão do objecto era de tal ordem pequena que não lhe provocou qualquer lesão.

A probabilidade é baixíssima

Para pôr a questão em números, a probabilidade de uma pessoa só – por exemplo, tu – ser atingido por um pedaço resultante da queda é de 1 em 21 biliões. Já a probabilidade genérica de atingir alguém é de 1 em cada 3200. Apesar do aparato mediático em torno do acontecimento, investigadores da área citados pela Time, confirmaram que destroços de dimensões semelhantes atingem a terra múltiplas vezes por ano.

Investigadores a acompanhar a queda

Diversas entidades como a Agência Espacial Europeia (ESA) ou investigadores em nome próprio estão a acompanhar a situação, fazendo comunicados ocasionais quer da localização da Estação Espacial Chinesa quer do contexto que permite perceber melhor o acontecimento. Por se tratar de uma queda livre e ser influenciada por uma série de dinâmicas – como a actividade solar –, as previsões são frequentemente ajustadas. Os últimos dados publicados pela ESA indicavam a entrada do corpo na atmosfera terrestre para o período compreendido entre a noite de 31 de Março e a de dia 1 de Abril.

Portugal tem sido apontado como um dos locais da provável queda de objectos relacionados com a Estação Espacial Chinesa, mas mesmo essa probabilidade deve ser relativizada. O grau de incerteza dos cálculos uma vez que o corpo se encontra a uma velocidade de 27,000km/h e não se sabe com certeza a hora do seu embate – cada hora de diferença na previsão significa erros na mesma ordem no cálculo do local do impacto.

No pouco provável cenário de causar danos humanos ou materiais, a China deverá ser responsabilizada por eles. As dúvidas em torno do desfecho desta história prendem-se ainda com o facto da composição da construção chinesa não ser totalmente conhecida, devido ao sigilo da sua missão.

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