Se o 25 de Abril tivesse sido relatado no Twitter

Um software que, todos os anos por este dia, relata ao minuto os principais acontecimentos.

25 de Abril no Twitter
 

O 25 de Abril de 1974 deu-se antes sequer de se pensar globalmente a internet ou as novas tecnologias que dela surgiram mas o seu surgimento está longe de poder ser visto como um pretexto para o desvanecimento da homenagem. Pelo contrário, as novas possibilidades devem dar lugar a novas narrativas sobre o mesmo acontecimento que permitam ao público que só agora vai tomando contacto perceber da forma mais fidedigna possível o que foi, como foi e porque se deu a Revolução de Abril.

Foi isso que fez Paulo Jacob, membro português da Linux Foundation — fundação dedicada ao desenvolvimento de software open-source, com a colaboração de Mariana Correia. O programador português desenvolveu um software que, todos os anos por este dia, relata em tweets e ao minuto os principais acontecimentos do 25 de Abril.

A informação foi recolhida em três Centro de Documentacao 25 de Abril da Universiade de Coimbra, o Site da associação 25 de Abril e o Centro de Documentação Site da Câmara Municipal de Odivelas e a conta de twitter está preparada para que todos os dias 24 de Abril às 20 horas comece a narração dos passos que conduziram à revolução, do ponto de vista de um “observador imaginário” imaginado no Posto de Comando do MFA.

A história dividida em tweets abarca praticamente 24h de acontecimentos, desde o momento em que os oficiais do MFA se reúnem no posto de comando, no dia 24 às 20h, até ao momento final da rendição de Marcelo Caetano, o consumar da revolução, por volta das 19:30h.

Pelo meio vão ainda sendo partilhadas, com a devida atenção à hora da publicação, algumas das músicas que deram o mote para o 25 de Abril.

A ideia é, como expressa na descrição do twitter, homenagear a revolução online — daí a opção pelo Software Livre, Linux, ser louvável e importante de mencionar. O resultado permite-nos ter uma ideia mais precisa do ritmo dos acontecimentos, bem como, de certo modo, imaginá-los à luz dos dias de hoje, algo que nem sempre é fácil de fazer.

O projecto já decorre desde 2009 e está documentado num blogspot; a ideia seria disponibilizar o código em modo aberto para que qualquer pessoa pudesse replicar o exercício — algo que ainda não se encontra na página. Na mesma onda de espírito colaborativo e evolutivo, dá nota quem acompanha a conta há já alguns anos que a qualidade da informação vai melhorando a cada nova edição, um sinal do interesse e investimento intelectual desprendido pela comunidade ou pelos seus fundadores na melhoria desta ferramenta de informação histórica

 

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