‘Robôs Assassinos’: Universidade contestada por criar centro de pesquisa e desenvolvimento

A preocupação prende-se directamente com a criação de um centro de pesquisa especializado nesse sector, numa parceria colaborativa entre Universidade sul coreana e a principal fabricante de armas do país, a Hanwha Systems.

 

Mais de 50 investigadores e entusiastas da inteligência artificial endereçaram, esta quinta-feira, uma carta aberta ao professor Sung-Chul Shin, presidente do Korea Advanced Institute of Science and Technology (KAIST), revelando as suas preocupações com o avanço nos estudos da aplicação da inteligência artificial e robótica a armamento de guerra.

A preocupação prende-se directamente com a criação de um centro de pesquisa especializado nesse sector, numa parceria colaborativa entre a Universidade sul-coreana e a principal fabricante de armas do país, a Hanwha Systems. Este centro de investigação tem como objectivo explicito a aplicação de inteligência artificial em equipamento militar e posicionar-se na linha da frente pela criação de armas autónomas, seguindo a lógica das piores previsões sobre o futuro desta tecnologia, como as de Elon Musk.

Os signatários da carta aberta relembram que a discussão que se faz nas altas instituições como as Nações Unidos vai na direção oposta à revelada por esta universidade, repudiando qualquer avanço nesse sentido e apelando à comunidade internacional para que boicote ao máximo as actividades desta instituição.

Na mesma carta, curta e concisa, os investigadores evidenciam o vasto leque de possibilidades em que a inteligência artificial pode ser utilizada, destacando o espectro oposto do que está aqui em análise e evidenciando que, a concretizar-se, o desenvolvimento de armas autónomas seria a próxima grande revolução nas indústrias de guerra – como descrevem, “uma caixa de pandora que não deve ser aberta”.

Para justificar a tomada de posição, na carta é lembrada ainda a posição global em relação a tecnologias perigosas como os lasers, que provocam cegueira que foram descontinuados da investigação científica. Em jeito de conclusão, é deixado um último apelo para que este caminho seja seguido pela Universidade sul-coreana para que possam ser restabelecidas as relações diplomáticas normais.

A KAIST está aberta desde dia 20 de Fevereiro, segundo a imprensa local e a menção na carta-aberta. Na Universidade, trabalham actualmente perto de 60 cientistas dedicados ao tema, a quem se dirige este apelo e se recordam os movimentos globais, como a campanha stopkillerrobots.org vigente desde o ano passado.

A carta é escrita pelo professor Toby Walsh e foi publicada no site do Centro Para o Estudo do Impacto da Inteligência Artificial e Robótica da Universidade de Sidney.

De salientar que esta não é a primeira entidade sul-coreana a desenvolver este tipo de tecnologia. A Dodaam Systems, também sul-coreana, criou o primeiro robô capaz de sinalizar um alvo num raio de 3 km – que só ataca letalmente se tiver autorização humana – e, no Reino Unido, a BAE Systems desenvolveu um drone de guerra completamente autónomo.

A KAIST está no epicentro da discussão por se tratar de um centro de referência na inovação nesta área. A Universidade foi, de resto, a grande vencedora do concurso de robótica promovido pela DARPA, Agência de Pesquisa Avançada de Defesa, em 2015.

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