Portugal é o maior país “financiador de energia suja com dinheiro dos contribuintes”

O irónico prémio deve-se à licença concedida para explorar gás natural e petróleo no sul Alentejano, numa área de alta biodiversidade e atractividade turística.

Mais um prémio para o nosso país. Depois de ainda este mês Portugal ter sido dado como exemplo pela utilização de energias renováveis, Portugal arrecada agora a irónica e espectacular distinção de Ouro na categoria “Maior financiador de energia suja com dinheiro dos contribuintes”. A Polónia é quem se segue, num pódio que fecha com a nossa vizinha Espanha em terceiro lugar.

A distinção é atribuida pela Climate Action Network (CAN), uma associação de promoção das energias limpas e renováveis, e resulta de uma votação online entre 8 projectos nomeados por ONG’s de cada país.

A CAN é a maior associação cooperativa dedicada ao sector da energia e do clima a operar na Europa. No total contabiliza mais de 140 membros provenientes de 30 países europeus que, juntos, representam mais de 44 milhões de cidadãos.

O prémio nacional deve-se à licença concedida para explorar gás natural e petróleo no sul Alentejano, numa área de alta biodiversidade e atractividade turística.

A própria União Europeia arrecadou um prémio especial pelo apoio tácito à construção de gasodutos. Entre 2014 e 2016, a UE gastou cerca de 4 mil milhões de euros em combustíveis fósseis, maior parte desse dinheiro aplicado na construção de pipelines.

O director da organização, Wendel Trio, anunciou os “prémios” reforçando a incompatibilidade que existe entre a assinatura do Acordo de Paris e o investimento público em iniciativas em sentido inverso.

“Isso prejudica a saúde das pessoas, o clima e não faz sentido economicamente.”

Francisco Ferreira, director da associação portuguesa Zero, foi o autor da nomeação portuguesa reiterando na nota que se pode ler no site da CAN que “é inaceitável que o governo português conceda licenças de perfuração na costa, quando o país planeia torna-se isento de emissões de carbono em 2050″.

“It is unacceptable that the Portuguese government favours access to oil drilling companies in the coast, while the country has a leading role on pledging for ambitious climate action and is planning to become carbon neutral by 2050.”

No mesmo tópico, dizer que ainda este fim-de-semana, dia 14 de Abril, decorreu uma manifestação pelas ruas de Lisboa até à porta da Assembleia da República pela cessação da prospecção de petróleo ao largo da costa de Aljezur, numa iniciativa organizada por uma plataforma composta por 32 organizações ambientalistas.

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