Matadouro de Campanhã vai ganhar nova vida com o arquitecto japonês Kengo Kuma

O projecto que vai custar cerca de 40 milhões de euros vai ser conduzido pelo autor do novo Estádio Nacional de Tóquio.

Matadouro Kengo Kuma
Terraço do novo Matadouro

A espera foi longa, mas finalmente a reconversão do antigo Matadouro Industrial de Campanhã, desactivado há 20 anos, vai realizar-se. A Câmara Municipal do Porto divulgou esta terça-feira que a obra ficará a cargo da construtora portuense Mota Engil. O projecto vai custar cerca de 40 milhões de euros e vai ser conduzido pelo japonês Kengo Kuma, autor do novo Estádio Nacional de Tóquio, em parceria com os portugueses OODA empresa de arquitectos de Matosinhos.

Fachada do Matadouro

Para contextualizar quem nos segue, e demonstrar o quanto este processo foi longo, em Abril de 2016, o projecto para a reconversão do Matadouro foi lançado por Rui Moreira em Milão, na 21.ª Trienal de Artes, Design e Arquitectura, mas só em 2017 é que a Câmara do Porto, através da empresa municipal de Gestão e Obras do Porto (GO Porto), optou por um concurso limitado por prévia qualificação, cuja primeira fase do procedimento consistiu na qualificação prévia dos candidatos.

Embora o concurso tivesse apenas quatro candidatos, o processo de escolha foi demorado, porque as todas tiveram de passar por uma espécie de triagem e análise, até que em Fevereiro foram seleccionados os três finalistas que visavam “a reconversão integral do complexo, mantendo a sua memória histórica e natureza arquitectónica, em espaços empresariais diversificados e polivalentes”.

Vista nocturna do Matadouro
Depois da escolha dos três finalistas, coube ao júri do concurso avaliar as três propostas, para anunciar o projecto vencedor, que pôde ficar com perto de 12 mil metros quadrados à disposição, num total de 20 mil metros quadrados disponíveis para construção (7885 metros quadrados ficarão sob gestão municipal).

Todo este projecto teve de ser bem delineado. Um dos principais objectivos era preservar os patrimónios históricos, principalmente o Matadouro. Como tal, o intuito era estabelecer um diálogo de escala com as grandes infra-estruturas adjacentes (como o Estádio do Dragão) e, de forma subtil, através dos materiais, com o casario da freguesia da Campanhã.

Jardim suspenso sobre a VCI
A rua coberta do Matadouro
Biblioteca
Área de restauração
Reservas de arte

O desenho feito pelo japonês Kengo Kuma, autor do estádio que irá receber a cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos de 2020 em Tóquio, é absolutamente fenomenal (como podes ver nas imagens), e não só une todo o complexo, “como através do seu movimento sublinha as partes essenciais do programa, servindo como pontos de referência e orientação”, de acordo com a publicação feita pela Câmara Municipal do Porto.

Em causa está a mudança completa da zona envolvente daquela parte da cidade. O espaço irá ter uma ponte pedonal para passar por cima da VCI, que permitirá fazer uma ligação entre o complexo do Matadouro de Campanhã à zona do Estádio do Dragão a poente. A obra também vai contar com um jardim e um miradouro que vai embelezar ainda mais este sítio, com o intuito de criar uma nova identidade marcante. “Dentro de meses, começa a ser construído um Porto novo”, lê-se no artigo publicado pela autarquia.

Uma das vias internas do Matadouro
Um dos espaços com toda a sua imagem industrial preservada
A cobertura como será vista da VCI
Vista aérea da cobertura

A proposta vencedora cria um impacto visual único para quem atravessa a VCI, e garante para a cidade a tão desejada visibilidade, tal como mais impacto turístico para esta zona do norte do país, que será “fundamental para o sucesso a longo prazo do processo de consolidação territorial e de inclusão social”.

Este projecto vai permitir que as pessoas ganhem uma maior acessibilidade nesta zona da cidade do Porto quando o Matadouro estiver concluído, porque vai articular-se com outras infraestruturas (Terminal Intermodal de Campanhã e da nova ponte que ligará a Gaia), e irá servir como um grande impulsionador económico, social e cultural, mas também será um “pólo dinamizador de toda a cidade”. “A ponte pedonal permitirá dar vida quotidiana ao espaço, introduzindo-lhe vivência de cidade e não fechando o ecossistema”, segundo o jornal Porto.

A empresa portuense Mota Engil vai ficar com a exploração do espaço pelo prazo de 30 anos. No entanto, quando o prazo terminar o espaço envolvido regressa à posse da Câmara Municipal do Porto.

Mas afinal quem é Kengo Kuma?

Nascido em 1945 na cidade japonesa de Yokohama, o japonês para além de ser um arquitecto de renome, também é professor na Universidade de Tóquio, onde lecciona arquitectura. Além disso, no seu portefólio já conta com trabalhos como Suntory Museum of Art, em Tóquio, a Bamboo Wall House, na China, a sede do grupo Louis Vuitton, no Japão e claro, o novo Estádio Olímpico de Tóquio, construído para os Jogos Olímpicos de 2020.

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