NFL implementou novas regras para o hino que prometem criar mais polémica

A NFL terá um "novo visual" após as suas regras mudarem. Os jogadores já não vão poder ajoelhar-se perante o hino nacional como forma de protesto.

Foto de Keith Allison via Flickr

A NFL apresentou novas regras face aos sucessivos protestos dos jogadores durante o hino. Agora, cada jogador ou elemento da equipa técnica que se ajoelhe durante o hino vai sofrer uma multa pesada. “Um clube será multado pela liga se os elementos que estiverem no campo não ficarem de pé e não demonstrarem respeito pela bandeira e pelo hino”, referem as novas regras do futebol americano.

O porquê desta mudança remonta a 2016, quando Colin Kaepernick – jogador que actuava como quarterback dos San Francisco 49ers na NFL – deu mote ao protesto que envolve a questão da violência racial contra os negros nos Estados Unidos. Vários atletas passaram desde então a ajoelhar-se perante o hino para reclamarem da forma como eram tratados, principalmente pelas forças policiais.

Prontamente, Trump, sempre polémico, condenou estes actos considerando-os uma falta de respeito para com o hino, chamando os manifestantes de “filhos da mãe” e declarando que deviam ser despedidos. Actualmente, Colin Kaepernick, a principal figura do início deste protesto encontra-se sem clube. Apresentou uma queixa contra a liga afirmando que foi banido devido ao seu protesto.

O comissário da NFL, Roger Goodell, disse que a liga sempre esteve muito atenta a este assunto. “Queremos que as pessoas respeitem o hino nacional. Queremos que as pessoas se levantem”, afirmou. “Temos sido muito sensíveis em garantir que damos opção de escolha aos jogadores, mas acreditamos que o momento, é um momento importante e no qual nos vamos concentrar.”

Contudo, a NFL precisou de cerca de dois anos para tomar medidas que pecam por tardias sobre este delicado tema. Isto porque, em tempos, a liga acusou Trump de “uma infeliz falta de respeito”, para com a modalidade e os jogadores (e de “não compreender a esmagadora força positiva que os clubes e os jogadores representam nas comunidades”) o que levou dezenas de jogadores a unirem-se neste protesto.

Embora a NFL tenha adoptado estas novas medidas, a liga, consciente do sentimento dos jogadores, incluiu nas suas novas regras a possibilidade dos jogadores ficarem nos balneários durante o hino. Basicamente podem continuar o seu protesto, mas não de uma forma tão pública e mediática como tem vindo a acontecer. No entanto, as anteriores regras ditavam que todos os jogadores tinham de estar no campo na altura do hino e que “deviam” estar em pé durante o mesmo.

Apesar das fortes críticas do Presidente norte-americano, o comissário da NFL pôs-se ao lado dos jogadores ao afirmar que eles não eram anti-patrióticos. “Foi lamentável que os protestos em campo tenham criado uma percepção falsa, entre muitos, de que milhares de jogadores da NFL eram anti-patrióticos”, afirmou Goodell. “Isso não é e nunca foi o caso.”

O que é certo é que este protesto não se ficou só pelo futebol americano, chegando à NBA. Uma das figuras principais do Basquetebol norte-americano, LeBron James, criticou Donald Trump após este ter dito que Stephen Curry já não estava convidado para ir à Casa Branca – o jogador votou contra a ida dos Warriors a Washington, na qualidade de vencedores do campeonato, o que levou Trump a esta decisão.

Entretanto, o vice-presidente dos EUA, Mike Pence, já deixou claro o que a administração de Trump sente após a nova conduta da NFL. No seu Twitter oficial, Pence mencionou a notícia da CNN onde usou a hashtag “vitória”.

Todos os 32 proprietários da NFL aprovaram as novas regras na sua reunião anual de pré-temporada na quarta-feira. No entanto, houve discordância sobre como lidar com o problema. Alguns podem ter concordado com Trump, enquanto outros temiam que os protestos atingissem as receitas de uma liga que é incrivelmente popular na América. A ESPN informou que alguns proprietários queriam que todos os jogadores ficassem de pé enquanto outros queriam evitar ditar pontos de vista políticos dos jogadores.

A associação de jogadores da NFL disse que não foi sequer informada das novas regras. “Não fomos consultados antes da reunião sobre possíveis mudanças na política do hino”, afirmaram em comunicado. “Se houver mudanças na política que colocam os jogadores numa posição onde eles podem ser disciplinados ou multados, vamos fazer o que sempre fazemos: lutar contra qualquer coisa que interfira nos direitos dos jogadores até o fim“.

A polémica parece não parar por aqui, tal como os protestos. Prometem continuar a fazer correr muita tinta, após as novas regras implementadas pela liga não reunirem o consenso entre os elementos que a compõem: staff e jogadores.

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