Argentina de Messi cancela amigável com Israel

Jogo estava planeado para a cidade de Jerusalém.

Argentina Israel

À medida que se agudiza a situação entre Israel e Palestina – que, apesar de durar há décadas, ciclicamente se torna mediaticamente mais relevante –, surgem dos mais diversos quadrantes acções de boicote ao normal funcionamento do estado de Israel.

Há um mês demos conta da posição tomada pelo director do Teatro Nacional D. Maria II, Tiago Rodrigues, de cancelar a apresentação da peça de teatro por si encenada; frequentemente surgem cancelamentos de artistas musicais e, desta vez, foi do mundo do futebol que surgiu mais uma inesperada tomada de posição.

Em causa está o último amigável planeado pela selecção da Argentina antes do Mundial 2018, que a oporia à selecção de Israel e que, depois de merecer várias críticas e apelos aos jogadores argentinos, acabou por ser cancelado, conforme deu conta a Federação Argentina e Gonzalo Higuaín em declarações à imprensa. À ESPN, Higuaín afirmou que “estão a fazer a coisa certa” e que “a saúde e o bom senso devem estar em primeiro pano”.

A mesma imprensa deu conta de que Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel, ainda terá contactado o seu homólogo argentino, Mauricio Macri, numa última tentativa de demover os jogadores da ideia de cancelar o jogo mas sem sucesso.

Lionel Messi, principal figura da selecção transalpina, foi um dos elementos a quem se dirigiram a maioria dos apelos e uma das figuras no centro da polémica. Recorde-se que o jogador é embaixador da UNICEF e já em 2014 tinha tirado uma fotografia com um jovem palestiniano ferido, momento em que pediu o cessar da violência naquela zona de confronto. Este ano recebeu uma carta endereçada por um grupo de 70 jovens a pedir o cancelamento da partida com Israel.

Do lado da embaixada argentina no país do Médio Oriente, fala-se de pressões aos jogadores argentinos e de ameaças à sua integridade física, rotulando de terroristas aqueles que se opõe à realização da partida, acusando o Hamas de associação ao movimento.

Para efeitos de contextualização é importante sublinhar que o jogo estava planeado para se realizar na cidade de Jerusalém, cidade que tem sido centro da polémica desde a decisão de Trump de mudar para lá a embaixada dos Estados Unidos, neste mês de Junho – depois de em Maio terem morrido mais de 60 palestinianos envoltos em conflitos.