Maioria das mulheres com cancro da mama pode evitar a quimioterapia, aponta novo estudo

Estudo mostra que, em mais de dois terços dos casos em que a doença se manifesta, o recurso à quimioterapia pode não ser necessário.

Flickr/Paul Falardeau

O maior estudo alguma vez realizado sobre tratamentos de cancro da mama concluiu que a maioria das mulheres com a forma mais comum da doença podia saltar a quimioterapia sem afectar as suas hipóteses de vencer o cancro.

Trata-se de um trabalho da Harvard Medical School, nos EUA, que foi apresentado na edição deste ano do encontro anual da Sociedade Americana de Clínica Oncológica, em Chicago, e poderá levar a uma mudança de abordagem no combate à doença.

Os resultados esperam poupar cerca de 70 mil doentes que todos os anos em todo o mundo passam por este tipo de tratamento e arcam com as despesas destes medicamentos. Cansaço, náuseas, vómitos, queda de cabelo são alguns dos efeitos secundários mais frequentes associados à quimioterapia. Os resultados do estudo mostram que, na maioria das vezes, o recurso a este tratamento é, afinal, desnecessário.

O estudo envolveu cancros no estadio inicial, antes de se espalhar pelos gânglios linfáticos. Avaliou os benefícios da quimioterapia em cerca de 10 mil mulheres, entre os 18 e os 75 anos, sendo cada um delas classificada com um valor entre 0 e 100 em função do risco de reincidência da doença nos 10 anos seguintes. A esmagadora maioria ficou fora do intervalo em que a aplicação do tratamento provava ser uma mais-valia. “O nosso estudo mostra que a quimioterapia pode ser evitada em cerca de 70% destas mulheres, limitando a quimioterapia aos 30% que sabemos que podem beneficiar com ela”, referiu ao The Guardian Joseph Sparano, director de investigação clínica do Centro de Cancro Albert Einstein, em Nova Iorque.

Arnie Purushotham, conselheiro clínico do Centro de Investigação Oncológica do Reino Unido, refere também ao jornal britânico que, “ao estratificar estas doentes com cancro da mama e ao perceber que apenas aquelas com os riscos mais elevados de reincidência precisam de receber quimioterapia, com base na genética do seu tumor, o Tailrox [nome de baptismo deste estudo de Harvard] revela um grande potencial para garantir um tratamento mais suave sem comprometer a sua eficácia”.

Os testes genéticos mostram que a maioria das mulheres não necessitam de tratamento, além da cirurgia e dos bloqueadores hormonais e que a quimio não melhora a sobrevida. Os resultados do estudo são hoje discutidos numa conferência sobre cancro em Chicago e são publicados na revista científica New England Journal of Medicine.