Uma (re)visita ao cinema nipónico, com a frescura dos novos e a intemporalidade dos clássicos

Primavera Tardia: Um ciclo de cinema japonês

Primavera Tardia (1949) de Yasujiro Ozu – Em cópia restaurada dia 28 de Junho

A nossa primavera já vai a meio e com ela chega este ciclo celebratório do que melhor se faz e fez no cinema japonês. Primavera tardia, título em género de honra ao eterno nome que é Yasujiro Ozu, lembra-nos a importância da primavera no Japão – as sakuras (e, dada a efemeridade da planta, tão rápido aparecem como vão) estão a florescer e a criar as paisagens características que todo o mundo conhece e cobiça, o rigoroso Inverno está a acabar e o ano letivo a começar. É uma época de recomeço, de calma, de ar livre, do clássico e do novo.

Este ciclo vem marcar datas importantes: o lançamento das caixas de DVD de Kenji Mizoguchi (9 de Julho) e Yasujiro Ozu, a estreia do novo filme de Naomi Kawase, “O Esplendor” – que nos lembra a sensibilidade poética da cineasta numa história sobre a subjectividade da legendagem de filmes para invisuaissubjectividade que se alastra à própria autora e a toda a narrativa do filme, parte da selecção oficial de Cannes 2017 – e a reposição, em cópia digital restaurada dos filmes “Primavera Tardia”, de Yasuijro Ozu (28 de Junho) e “Contos Cruéis da Juventude”, de Nagisa Oshima.

O Esplendor (2017) de Naomi Kawese – Estreia a 14 de Junho

 

Começou esta semana, no Espaço Nimas e no Teatro Campo Alegre no Porto, com “A Pasteleira de Tóquio” também de Naomi Kawase e com “Exército Vermelho Unido” de Kôji Wakamatsu, e segue até dia 11 de Julho. Podemos ver mais de 40 filmes de 11 cineastas diferentes, que abrange estreias passadas e novidades. Dado tal desfile de diversidade, é preciso ter algum filtro (ou muito tempo para poder ver todos – não é desperdício, a dedicação é merecida). A lista está toda disponível no website da Medeia Filmes – é perder algum tempo a ver, pensar e escolher.

Texto de: Elisabete Magalhães