Cimenteira francesa acusada e investigada por cumplicidade em crimes contra a humanidade

A multi-nacional Lafarge está a ser acusada de "crimes contra a Humanidade". Uma acusação inédita e, por isso, histórica.

Lafarge
 

O caso remonta aos anos de 2013 e 2014 e ao território sírio mas só agora se parece encaminhar para uma conclusão na barra dos tribunais franceses. Esta quinta-feira, a justiça francesa acusou a empresa produtora de cimento Lafarge – desde 2015 LafargeHolcim, depois de uma fusão com uma homóloga suíça – de financiamento terrorista e cumplicidade em crimes contra a Humanidade. Em causa estão pagamentos alegadamente feitos pela multi-nacional francesa a várias fracções terroristas com o objectivo de continuar com a operação em território sírio, mesmo depois da escalada dos conflitos armadas.

Quem avança a notícia, citando instituições oficiais, é a agência EFE, que cita fonte da justiça francesa para garantir a acusação formal à Lafarge SA de “violação de embargo, pôr em risco a vida de terceiros, financiamento de objectivos terroristas e cumplicidade com crimes contra a Humanidade”.

A acusação de uma empresa sobre práticas deste tipo é inédita e, por isso, histórica. Vários dos membros da empresa responsáveis pelas operações já tinham sido indiciados por envolvimento nos crimes agora imputados à empresa que, por isso, afirma não estranhar as acusações.

A história, que agora ganha um protagonista “empresarial”, já tinha levado dois antigos altos quadros da empresa – Bruno Lafont e Eric Olsen – a afastarem-se da empresa e a uma série de acusações, quer da justiça, quer da nova gerência, que afirma que os crimes praticados se deveram, em primeira instância, ao desrespeito pelas normas internas da companhia: “[as práticas indiciadas] resultaram de uma violação sem precedentes do regulamento interno da empresa promovido por um pequeno grupo de indivíduos que já abandonaram a companhia. A Lafarge SA vai recorrer contra estas acusações que não representam justamente as responsabilidades legais da empresa”.

Na mira da justiça e sob investigação cada vez mais apertada, está mais propriamente a subsidiária síria da empresa francesa, a Lafarge Syrie. Os principais suspeitos de envolvimento e de responsabilidade sobre as decisões da Lafarge já foram todos afastados, conforme afirma Beat Hess, o novo Chairman da LafargeHolcim, que acrescenta ainda ter disponibilizado aos órgãos de justiça mais de 260 mil documentos que podem ser úteis à investigação.

A imputação à Lafarge SA agora promovida pela justiça francesa advém da queixa apresentada pela ONG Sherpa. A acusação versa que a empresa terá pago pelo menos 13 milhões de dólares a organizações terroristas para permanecer em operação no local. Como medidas de coação, o tribunal francês terá ordenado um depósito preventivo de 30 milhões de dólares mesmo antes do caso seguir para julgamento.

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