Pessoas estão a ler menos notícias no Facebook… e mais notícias na Facebook Inc

Enquanto o Facebook cai, plataformas como o WhatsApp e Instagram sobem.

Para além das fake news, a desinformação é uma tendência propícia de se desenrolar nas redes sociais, como no Facebook, onde os algoritmos facilmente privilegiam conteúdo fácil, popular, com mais interacções e não necessariamente mais informativo ou confiável. O problema não é exclusivo do Facebook, mas esta plataforma soma mais de 2 mil milhões de utilizadores, bem mais que os 330 milhões do Twitter, por exemplo, conferindo-lhe  maior impacto social.

O último Digital News Report elaborado pela Reuters Institute e pela Universidade de Oxford, que inclui dados de perto de 40 países diferentes, dá conta das últimas tendências quanto ao consumo de informação online. O relatório conclui, entre outras coisas, que as pessoas estão a ler menos notícias na rede social Facebook e a consumi-las mais noutros serviços da empresa Facebook, nomeadamente o WhatsApp e Instagram.

O Reuters Institute afere que o uso das redes sociais para notícias baixou numa série de mercados, como Estados Unidos, Reino Unido, Brasil e França, depois de anos de contínuo crescimento. Grande parte dessa descida é devido à pesquisa e partilha de notícias no Facebook, refere o relatório.

O documento, que resultou de um inquérito global com mais de 74 mil intervenientes, detalha que o consumo de notícias no Facebook não está a acontecer em todo o mundo, sendo significante, por exemplo, na Malásia e na República Checa. A rede social de Mark Zuckerberg, que outrora tentava apanhar o Twitter no campo das notícias online, tem vindo a dar sinais de querer afastar-se desse mundo depois de diversas polémicas de desinformação. No início deste ano, Zuckerberg anunciou que a sua empresa iria ajustar os algoritmos do News Feed para privilegiarem conteúdo de amigos e familiares e uma quebra de 1% na quantidade de notícias no feed. Desde então, o Facebook tem vindo a tentar melhorar a forma como as notícias falsas são identificadas na plataforma ou a suspender funcionalidades controversas como a dos Trending Topics.

O Reuters Institute detectou em contraponto um aumento da utilização de outras plataformas passíveis de servir para o consumo de notícias, como o WhatsApp, Instagram e Snapchat. Enquanto que globalmente o uso do Facebook baixou de 42% em 2016 para 36%, outras redes sociais têm mantido-se estáveis ou crescido rapidamente nesta área. Por exemplo, o WhatsApp tem uma popularidade de 54% para notícias na Malásia, de 48% no Brasil, de 36% em Espanha e de 30% na Turquia.

Segundo este Digital News Report, aplicações para ler notícias, como o Apple News, newsletters via e-mail e notificações push no telemóvel têm vindo a ganhar importância; no entanto, em alguns países, há já utilizadores a sentirem-se bombardeados com demasiadas mensagens por estas vias. Em crescimento está também a utilização de bloqueadores de anúncios – em média, mais de um quarto (27%) usa adblockers em qualquer dispositivo; varia entre 42% na Grécia e 13% na Coreia do Sul.

Outro dado interessante que este relatório revela tem a ver com donativos a órgãos de comunicação social, que estão a emergir como uma estratégia alternativa às paywalls em países como Espanha, Reino Unido e Estados Unidos. Este tipo de pagamentos está especialmente ligado a posições políticas de esquerda e está a surgir especialmente entre os jovens. Paralelamente, o número de pessoas que diz pagar por notícias online cresceu em países com menos publicações, como é o caso da Noruega, Suécia e Finlândia. Em mercados complexos e fragmentados, existem demasiados meios online que disponibilizam notícias gratuitamente.

O Digital News Report da Reuters Institute pode ser consultado na íntegra neste site. Já aqui, nesta página, encontras alguns casos práticos e as principais conclusões. Uma delas diz que o Facebook está associado a conceitos como “multi-faceted, creepy, ego-centric, uncool uncle, mid-life crisis, clean, generic”, enquanto que o WhatsApp a “best friend, fun, brings people together, straightforward, honest, reliable, discrete”, uma nota da diferente afinidade entre utilizadores e plataforma. Em resumo, é mais conveniente, mais privado e existe menor probabilidade de ser mal interpretado.