Google abandona projecto militar, depois de pressão interna e revelações na imprensa

Tecnológica deve largar o Project Maven, de colaboração com o Departamento de Defesa dos EUA, no próximo ano.

A Google não vai continuar a trabalhar com o Departamento de Defesa dos EUA depois de, no próximo ano, terminar o contrato actualmente em vigor, noticia o New York Times. A tecnológica tem estado a trabalhar com os serviços norte-americanos no Project Maven, em que é usada inteligência artificial para analisar imagens de captadas por drones, de forma ajudar aqueles aparelhos a distinguir seres humanos de objectos.

Esta relação preocupou, desde cedo, os funcionários da Google, que reuniram numa petição mais de quatro mil assinaturas a pedir à tecnológica para ficar de fora do “negócio de guerra”, num manifesto apelidado “Don’t Be Evil”.

Os dados até agora conhecidos davam conta de que o contrato entre a Google e o Departamento de Defesa dos EUA, ronda os 9 milhões de dólares – o acordo foi celebrado em segredo e só depois tornado público pela imprensa norte-americana. Recentemente, o The Intercept, teve acesso a e-mails internos da tecnológica, e acrescenta que a expectativa da Google era de que este negócio com os serviços militares iria aumentar exponencialmente em termos de receitas, podendo chegar aos 250 milhões anuais.

Segundo o New York Times, a Google não vai rasgar o contrato actual mas não o renovará no próximo ano. A notícia terá sido comunicada aos funcionários por Diane Greene, que lidera o negócio do Google Cloud, num encontro interno na sexta-feira.

O mesmo jornal recorda que ligações entre grandes tecnológicas e as forças militares não são pouco comuns – empresas como a Amazon ou a Microsoft procuram contratos com o Pentágono sem reacções desfavoráveis dos seus funcionários. O caso da Google é diferente, pois a empresa já promoveu a expressão “don’t be evil” como lema, algo que os colaboradores esperam que se reflicta na sua cultura corporativa.

De referir que o Departamento de Defesa dos EUA é um dos que mais utiliza drones em missões militares. Os drones são usados, por exemplo, no reconhecimento de alvos antes. Para teres noção desta realidade podes consultar o trabalho interactivo do The Bureau of Investigative Journalism.