A história de opressão do Brasil em 4 mil pinturas animadas. Em exposição no Porto

Thiago Martins de Melo tem a sua "Bárbara Balaclava" nos Maus Hábitos, no Porto, até dia 29 de Julho.

Bárbara Balaclava

Bárbara Balaclava é um filme de animação que exibe cenas de conflito e confronto do tempo recente e distante do Brasil. Sempre entre o presente e o passado, Thiago Martins de Melo transpõe para a tela um painel social de discriminação, ao qual milhões de mulheres e homens, negros e índios, foram subjugados a nível corporal e psíquico, assim como os efeitos da escravidão e da violenta dominação alcançam os seus descendentes actuais.

Nas palavras do curador Moacir dos Anjos, em Bárbara Balaclava, obra de 2016 , “o artista edita e anima, valendo-se de técnica de stop-motion, imagens retiradas de quase quatro mil pinturas feitas em diferentes tamanhos e suportes especialmente para serem usadas nesse projecto. O filme alarga a ambição narrativa que Thiago Martins de Melo demonstra em sua trajetória sem alterar a vontade de desafiar narrativas que justifiquem práticas de dominação no país. Nesse sentido, Bárbara Balaclava pode ser entendido como o esboço de uma contra-história do Brasil, feita mais de sugestões ou pedaços do que de um discurso escorreito e unificado”.

Inserida na programação do biénio cujo eixo apresenta como temática Emergência nas suas diferentes acepções, Bárbara Balaclava conta ainda com uma pintura inédita produzida durante a curta residência do artista no Porto. “Caçada da Onça sob o Sol de dentro”, pintura a óleo de 120x180cm, reitera o trabalho de Thiago Martins de Melo que explora um imaginário anacrónico onde corpo, sexualidade, política e sociedade se misturam numa imagética que retrata não só cenas das esferas pública e privada do Brasil, como também aquelas que se extravasam à sociedade ocidental.

Thiago Martins de Melo nasceu em São Luis do Maranhão em 1981, onde vive e trabalha, e já participou em diversas exposições institucionais. O curador Moacir dos Anjos regressa ao Porto e ao Maus Hábitos em Junho de 2019 para concluir a segunda parte do desafio curatorial que lhe foi proposto. Moacir dos Anjos é investigador da Fundação Joaquim Nabuco, no Recife, onde coordena, desde 2009, o projecto de exposições Política da Arte; e já assinou várias curadorias.

Fotos de João Pádua/DR