Descoberta nova forma geométrica que pode estar… no teu corpo

Chamam-lhe Scutoid e foi detectada durante um estudo biológico sobre células animais. 

No princípio era o círculo, o quadrado e o triângulo; agora, um grupo de cientistas propõe a existência de uma nova forma geométrica no universo. Chamam-lhe Scutoid e foi detectada durante um estudo biológico sobre células animais.

A descoberta foi feita durante estudo de células do tecido epitelial e, a confirmar-se, será esta a forma a conferir a coesão aos tecidos no nosso corpo – o epitélio é um dos 4 grupos de tecidos que formam o corpo humano, dando origem à superfície exterior da pele, aos vasos sanguíneos e a alguns órgãos.

Foi procurando uma explicação para a estrutura altamente compacta dos tecidos através de simulações matemáticas e computacionais, e da observação das glândulas salivares de moscas da fruta e de tecidos de peixe-zebra, que o grupo de investigadores liderado Pedro Gómez-Gálvez chegou à estrutura dos Scutoids – uma forma nunca antes vista e que pode explicar a coesão dos tecidos com um baixo custo energético.

A forma proposta pelos cientistas é uma espécie de prisma com seis lados numa das faces, cinco noutra e uma estrutural triangular noutra, como demonstra o diagrama:

Ouvido pelo Gizmodo, o investigador responsável pela descoberta publicada esta sexta-feira confessa que até para si foi difícil imaginar a forma a partir das simulações computacionais, afirmando que só a conseguiu conceber mentalmente depois de a moldar em gesso com a ajuda da filha.

Para a equipa e seguindo os resultados do seu estudo, os scutoids – ou escutóides – são a forma que permite às células do epitélio manter a sua coesão em planos curvos. De resto, esta foi a dúvida inicial levantada Luis Escudero que investiga desde pelo menos 2011 a complexa organização celular nos tecidos animais.

Até aqui o consenso científico levava os cientistas a crer que estas células teriam a forma de prismas ou seriam algo semelhante a garrafas, pelo que este estudo representa um avanço concreto e objectivo que dá forma a uma realidade até aqui amorfa. Se as primeiras explicações respondiam às duvidas sobre os planos rectos, os comportamentos quando os tecidos eram obrigados a curva durante o seu processo de crescimento permanecia um mistério, agora mais esclarecido.

Não era objectivo da equipa de investigação desvendar uma nova forma geométrica nem nada que se pareça. A nomeação dos ‘escutóides’ surgiu perante as simulações computacionais que devolviam uma forma estranha e até aqui desconhecida.

A descoberta é relevante não pela nomeação de uma forma nova mas por dar conhecimento mais detalhado sobre a constituição e composição dos tecidos algo que pode facilitar a sua recriação em laboratório.