Escif, o “Banksy espanhol”, levou um museu para outra realidade

A nova exposição do artista espanhol Escif pretende recriar a vivência de uma criança no espaço expositivo.

Escif é um pintor de rua ou, artista urbano — como lhe queiramos chamar – oriundo de Valência. Activo pelo menos desde 1996, é um nome firmado neste circuito quer pelo seu estilo de pintura muito próprio quer pela linguagem estética e simbólica que foi desenvolvendo.

As suas criações são geralmente sóbrias e aparentemente inofensivas escondendo em pormenores ou nas composições o seu valor mais reflexivo e crítico. Escif consegue ser directo, sem ser gratuito ou óbvio e tem feito das ruas a sua plataforma predilecta para diálogo artístico sem descartar as possibilidades que o tempo lhe vai oferecendo. Assim, tanto é possível encontrá-lo enormes murais ou fachadas como a criar gifs ou a reinventar a experiência de um museu.

Foi a convite do Palais de Tokyo que Escif criou agora uma exposição única respondendo, precisamente, à reinvenção acima citada. No ano passado, o artista espanhol já tinha pintado um enorme mural para o museu, denominado Open Borders e com uma toada nostálgica do Maio de 68, agora volta para em nome próprio para uma exposição, Un Jour Banane, com uma abordagem inovadora. Chamou-lhe Tokemon Go.

Mural de Escif no Palais de Tokyo
Messi – Escif

A ideia, segundo conta na sinopse do seu site, terá surgido depois de montar a exposição e pretende recriar a vivência de uma criança no espaço expositivo. Assim e recorrendo às maravilhas da realidade aumentada, Escif criou uma nova camada artística para a sua intervenção, escondendo ao longo de toda a exposição mais de 30 tokemons — intervenções em realidade aumentada nas suas próprias peças.

Riscos em jeito de vandalismo, objectos inusitados com uma ponta de humor ou a revelação de elementos que surgem desfocados à vista desarmada são as experiências mais comuns desta camada de realidade. A mensagem subjacente, essa, é quase sempre a mesma ganhando força pela repetição. Escif ironiza sobretudo o excesso de violência dos Estados quer direccionada aos civis quer na promoção de guerras numa posição que se clarifica no seu símbolo, uma antena radiante do símbolo da paz.

Para usufruir completamente da exposição/instalação os visitantes do museu parisiense deve portanto fazer o download da aplicação Yoga que permitirá visualizar todos os elementos sobrepostos. Podes ver mais aqui.