E se plantássemos copos em vez de os reciclar? Uma ideia inovadora

A ideia do estúdio encabeçado por Jun Aizaki é simples, embora a sua execução seja extremamente complexa. Em vez de produzir copos, Aizaki propõe que os façamos crescer.

Julho é o mês sem plástico e o mês em que o copos de plástico se tornam assunto nacional graças à sua proliferação nos santos populares e nos festivais de Verão. As propostas de solução são várias, em formato e durabilidade, mas têm quase sempre um ponto comum: o uso de plástico – mais ou menos grosso, mais ou menos biodegradável – e a produção industrial com elevados custos energéticos.

Nenhuma das ideias de inovação neste sector se revela propriamente inovadora, muito por força da necessidade de responder ao problema no imediato. E é aqui que entram, ou podem entrar, os criativos. Foi isso que aconteceu em Nova Iorque, onde o estúdio de design CRÈME começou há cerca de cinco anos a pensar criativamente sob a utilização de plástico nos copos de café que diariamente invadiam o escritório, num projecto agora dado a conhecer pela revista Fast Company.

A ideia do estúdio encabeçado por Jun Aizaki é simples, embora a sua execução seja extremamente complexa e passa por inverter completa o circuito de produção como o conhecemos. Assim, em vez de produzir copos, Aizaki propõe que os façamos crescer.

Chamaram-lhe HyO-Cup e, por agora, existe apenas um protótipo que permite aferir o potencial de exequibilidade da ideia, que passa por fazer crescer cabaças dentro de moldes pré-impressos em 3D. Jun Aizaki revela que se inspirou nas famosas melâncias cultivadas dentro de moldes quadrados por uma questão de logística para perceber como poderia condicionar o crescimento das cabaças.

O uso de cabaças como recipiente para líquidos não é propriamente novidade. Desde há muitos anos na história que as cabaças são usadas para transporte de água, por terem uma boa capacidade volumétrica e de manter a temperatura do conteúdo. Mesmo em Portugal esta utilização é tradicional e recorrente nas zonas mais periféricas.

O maior se não até agora encontrado pela equipa de Aizaki é o tempo de produção destes “copos” que podem levar entre cinco a seis meses a atingir a relação tamanho/forma pretendida e ainda necessitam de algum tempo para estarem completamente desidratados e prontos a usar. Contudo, o líder do estúdio revela-se optimista sobre a possibilidade de se fazerem produções em escala que compensem o tempo despendido porque afinal de contas o lucro ambiental é um ganho garantido.

Por ser feito num material inteira orgânico – a cabaça –, os copos dispensariam completamente a reciclagem ou qualquer outro tipo de processamento. Caso a industrialização da ideia não acrescente químicos ao processo, o copo será naturalmente biodegradável, podendo inclusive a sua decomposição servir de fonte de nutrientes para o solo. De resto esta visão do fruto enquanto recurso é amplamente difundida em África, onde as cabaças servem para quase tudo deste instrumento musical, a adereço de moda ou material de construção de mobiliário.

Os próximos passos do CRÈME, que não parece querer desistir da ideia, passam agora por arranjar um parceiro que queira dar escala à produção, acelerar o processo de secagem e começar a plantar as cabaças num sítio próprio ao contrário do que acontece até agora, em que são produzidas no pátio do estúdio.