As tendências de desenvolvimento dos média num mundo ligado à rede

Nos últimos anos a credibilidade dos média passou a sofrer duras críticas por parte de vários políticos e candidatos eleitorais, fazendo-se acompanhar pelo termo “fake-news”.

Apesar de hoje existirem mais países a adoptarem legislação no campo da regulamentação da informação e do jornalismo, o número de boicotes informáticos e shutdowns a órgãos de comunicação tem aumentado de forma significativa. Nos últimos anos, também o volume de informação a circular na internet se tornou explosivo. Com tudo isto, a credibilidade dos média passou a sofrer duras críticas por parte de vários políticos e candidatos eleitorais, fazendo-se acompanhar pelo termo “fake-news”.

Para além destas conclusões, o Relatório de Tendências Globais da Liberdade de Expressão e Desenvolvimentos dos Média 2017/2018, da UNESCO, reconhece que quase metade da população global tem acesso à internet. Talvez seja este um dos motivos que fez com que a circulação de jornais impressos tenha diminuído drasticamente, excepto na Ásia.

Pluralismo e liberdade nos meios de comunicação

A diferença de género nos meios de comunicação é, ainda hoje, notória. Apenas um em cada três repórteres e um em cada cinco especialistas entrevistados é do sexo feminino. Um problema que pouco melhorou desde 1995, quando a visibilidade de profissionais de informação do sexo feminino estava apenas nos 17%. Em 2015, essa visibilidade cresceu para 24%, apenas 7% de diferença em duas décadas.

No campo do acesso à informação, o online ganhou a confiança da faixa etária dos 18 aos 24 anos como forma predilecta de acesso à informação, de acordo com o 2017 Reuters Institute Digital News Report. Mais concretamente, 64% acede via online à informação e apenas 24% prefere fazê-lo pela televisão. Já a partir dos 55 anos, a situação inverte-se, com 55% a preferir a televisão contra 28% que afirmam aceder pelo online.

Mas não foi só no campo da diferença de género e no decréscimo da televisão e do jornal impresso como meio de acesso à informação que surgiram diferenças. Também no que respeita à liberdade editorial 18 países da Europa Ocidental e da América do Norte viram este critério drasticamente diminuído, revela o Worlds Journalism Study de 2016.

Sobre a credibilidade do conteúdo jornalístico publicado, a percepção dos jornalistas de 19 países da Europa Ocidental e da América do Norte e de oito profissionais da Europa Central e de Leste é de que a mesma terá reduzido de forma significativa junto dos consumidores de notícias.

Porém, a juntar-se a este retrato mais recente do estado dos média e da informação, a UNESCO informa que cerca de 530 jornalistas foram mortos, durante o exercício da sua profissão, entre 2012 e 2016. Uma média de duas mortes por semana. A Síria destaca-se como o país onde mais jornalistas morreram. Um total de 86, no período de tempo analisado. Segue-se o Iraque (46), o México (37), a Somália (36), o Paquistão (30) e o Brasil (29).

Das 530 vítimas, 44% foram mortas em conflitos não-armados e 21% detinham o estatuto de freelancer. Numa análise por meio de comunicação, os jornalistas de televisão e os jornalistas da imprensa escrita são os que mais se destacam no número de vítimas mortais, com 166 e 142, respectivamente.

Governos e informação online

No campo da informação em geral, o novo relatório da UNESCO revela que os pedidos de retirada de conteúdo feitos por parte de governos e recebidos pela Google aumentaram para os 15 961, em 2016. Um número que era substancialmente menos em 2012, correspondente a menos de 2000 pedidos.

Os pedidos da mesma origem feitos ao Twitter notaram também um aumento continuado desde 2012, tendo chegado aos 5 925 em 2016. Mas é no Facebook que este fenómeno acontece mais vezes. No total, 64 279 pedidos de retirada de informação feitos por governos.

Novos países com legislação para a protecção de dados e privacidade

De 2012 a 2016, 20 países adoptaram legislação direccionada para a protecção de dados e privacidade dos utilizadores de internet, pela primeira vez, e 23 procederam a alterações na já existente. Dos 20 estreantes, nove localizam-se na África.